Saúde

Atuação Fisioterápica na Capacidade Funcional do Idoso Institucionalizado

O envelhecimento populacional, antes restrito aos países desenvolvidos, tornou-se realidade em nosso meio. O crescimento desta população, em números absolutos e relativos, é um fenômeno mundial e está ocorrendo de forma sem precedentes. De acordo com a última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD, 2006), a população de idosos ultrapassa 19 milhões, correspondendo a aproximadamente 13% da população brasileira. (IBGE, 2004).

A preocupação em relação à capacidade funcional vem emergindo como destaque no campo da geriatria e gerontologia, pelo fato de que a dependência funcional tende a se tornar um problema de saúde pública. (CALDAS, 2003).

Capacidade funcional é a resultante da relação harmônica entre saúde física, mental, independência na vida diária, integração social, suporte familiar e independência econômica, interagindo de forma multidimensional. Qualquer desequilíbrio em um desses universos pode afetar a capacidade funcional e todas as outras dimensões relativas à vida do idoso (Ramos, 2002).

Sem dúvida, na velhice a capacidade de realizar as atividades de vida diária (AVD) sofre alterações, nota-se uma tendência à diminuição das atuações no meio em que vive, refletindo um comprometimento no comportamento (Andreotti & Okuma, 1999). A involução motora decorrente do processo de envelhecimento traz muitos prejuízos a qualidade de vida dos idosos; temos como exemplo, a velocidade de caminhada, que é inferior a indicada aos pedestres nas vias públicas e semáforos. E a necessidade se assistência para realizar pequenas tarefas do dia a dia, compromete seriamente a qualidade de vida no envelhecimento. Felizmente, evidências indicam que um estilo de vida ativo é fundamental para prolongar e aumentar a capacidade de trabalho, melhorando a realização das AVD’s e prevenindo a incapacidade e dependência nos últimos anos de vida.

Quando se fala em qualidade de vida, estudos apontam como principal indicador a capacidade funcional, e indicam a força e flexibilidade como as principais qualidades da aptidão física responsáveis pela execução das tarefas diárias como levantar e sentar, subir escadas, transportar objetos, utilizar ferramentas e utensílios, vestir roupas e calçados e cuidar da higiene pessoal (Santarém, 2003).

Sharkey (1998), afirma que para se alcançar a longevidade com qualidade, alguns aspectos são relevantes para quem envelhece, como: moderação em todos os aspectos da vida, flexibilidade física e psicológica, aceitar e criar desafios, ter hábitos saudáveis, manter as relações sociais, ter bons cuidados com a aparência e manter a autoestima, ter uma vida ativa, envolver-se em atividades diversas e praticar atividades físicas.

A capacidade funcional, a saúde percebida e o bem estar subjetivo ou satisfação representam os aspectos mais importantes do fenômeno qualidade de vida que tem múltiplas dimensões: física, psicológica e social, que interagem com aspectos conceituais, pragmáticos (cauteloso, prático, previdente) ou empíricos (conhecimentos vivenciados), que condizem com as experiências individuais e definem o bem estar para cada um. A qualidade de vida envolve aspectos globais de comportamento, estados emocionais e capacidades, que resultam em satisfação ou insatisfação indicando maior ou menor qualidade de vida. Na velhice pode-se somar a estes aspectos a influência inerente das condições ambientais, desempenho comportamental nas situações diárias (potencial e experiências de cada um), avaliação da própria vida (valores, objetivos, expectativas) e bem estar subjetivo (interação de todos os outros aspectos) (Ueno, 1999).

Estudos mostram que a diminuição da capacidade funcional limita a independência do idoso na execução das atividades de vida diária, reduz a qualidade de vida e confere altos riscos para mortalidade dependência, institucionalização, hospitalização e cuidados. (FIRED; GURALNIK, 1997). Os fatores mais fortemente associados com a incapacidade funcional estão relacionados com a presença de algumas doenças, deficiências ou problemas médicos. (ROSA et al., 2003). Sabe-se que tanto doenças físicas quanto mentais podem levar à dependência, à diminuição da capacidade funcional e até mesmo à perda da autonomia. (VERAS, 2002).

Além disso, convém ressaltar que há maior prevalência de incapacidade e dependência funcional em idosos do sexo feminino, forte determinante de dependência. (FIRED; GURALNIK, 1997).Esse aspecto está intimamente relacionado à redução da massa muscular decorrente do envelhecimento, mesmo em idosas sem doenças crônicas. (SILVA et al., 2006).Além deste, o declínio fisiológico de outros componentes da função motora constitui um dos fatores mais significativos da dependência funcional.(GUCCIONE, 1992). Mesmo em idosas sem doenças prévias, o fato de apresentarem maior expectativa de vida corrobora a maior possibilidade de desenvolver doenças crônicas que incapacitam ou auxiliam na diminuição da capacidade funcional. (ROSA et al., 2003).

Na geriatria, a principal meta no cuidado é a manutenção da independência e da autonomia do idoso. (DIOGO; NERI; CACHIONI, 2004).A manutenção da qualidade de vida está intimamente vinculada à autonomia e independência, os quais são bons indicadores de saúde para a população idosa. (NETTO, 2002). Capacidade funcional surge, portanto, como um novo paradigma para a saúde, particularmente relevante para o idoso (FILLENBAUM, 1984), já que para ele os níveis de funcionalidade e independência são questões mais importantes do que somente a presença de condições mórbidas. (GURALNIK et al., 1989). De acordo com a portaria no 1395/GM, que dispõe sobre a Política Nacional de Saúde do Idoso (BRASIL, 1999), capacidade funcional é definida como a capacidade de manter as habilidades físicas e mentais necessárias para uma vida independente e autônoma.

Em geriatria, a avaliação da capacidade funcional é imprescindível. Define-se avaliação funcional como a observação e mensuração da capacidade de realização das tarefas básicas de vida diária. É geralmente usada, num sentido mais restrito, para se referir à medida de habilidade de uma pessoa para cumprir com suas responsabilidades diárias e desempenhar as tarefas de autocuidado (DIOGO; NERI; CACHIONI, 2004).

Um modelo de atenção à saúde centrado na avaliação da capacidade funcional deve ser, portanto, o exemplo a ser praticado em relação à atenção à saúde do idoso. Nesse contexto, o estabelecimento de prioridades e ações de saúde em geriatria deve nortear as novas políticas de saúde. (VERAS, 2002). A fisioterapia é a profissão da área da saúde que aplica e utiliza medidas de avaliação da capacidade funcional de forma mais importante. Medidas de avaliação da capacidade funcional têm sido amplamente utilizadas em pesquisas epidemiológicas sobre envelhecimento e na avaliação individual do paciente idoso. (DIOGO; NERI; CACHIONI, 2004).

Além de poder avaliar um grande espectro de habilidades e predizer alguns achados, como quedas, admissão em instituições de cuidado e risco de morte, uma das principais razões para a grande utilização de medidas de desempenho funcional é que, por se tratar de métodos objetivos e padronizados de avaliação geriátrica, oferece mais subsídios para instrumentalizar e operacionalizar a atenção à saúde do idoso, revelar necessidades e determinar a utilização de recursos. (DIOGO; NERI; CACHIONI, 2004). Ainda, as informações geradas pela avaliação da capacidade funcional possibilitam conhecer o perfil dos idosos através da utilização de uma ferramenta simples e útil, o que pode auxiliar na definição de estratégias de promoção de saúde para os idosos, visando retardar ou prevenir as incapacidades. (LEE, 2000).

O envelhecimento saudável é “resultante da interação multidimensional entre saúde física, saúde mental, independência na vida diária, integração social, suporte familiar e independência econômica” (RAMOS, 2003) e é baseado na capacidade funcional. Cabe ao profissional fisioterapeuta que atua em geriatria e gerontologia atentar para a questão multifatorial do envelhecimento, tendo, portanto, uma visão abrangente. A fisioterapia é uma das profissões da área da saúde imprescindível para uma atenção ampla da saúde do idoso no sistema de saúde. A atuação profissional pode ser realizada nos âmbitos da atenção primária, secundária ou terciária à saúde.

As alterações morfológicas, estruturais e funcionais próprias do processo de senescência, associadas à maior prevalência de doenças crônicas no processo de senilidade, podem levar à deterioração da habilidade de manutenção da independência. Por outro lado, é necessário ressaltar que mesmo um portador de doença poderá se sentir saudável, ativo em seu meio e ter, em última análise, boa qualidade de vida. (NETTO, 2002). Assim, a saúde do idoso não é mais medida pela presença ou não de doenças, mas pelo grau de preservação da capacidade funcional. Cabe ao profissional fisioterapeuta preservar, manter, desenvolver ou restaurar a integridade físico-funcional dos indivíduos. (SULLIVAN; SCHMITZ,2004). Ações preventivas, assistenciais e de reabilitação devem objetivar a melhoria da capacidade funcional ou a manutenção da mesma e, sempre que possível, sua recuperação. (DIOGO, NERI; CACHIONI, 2004).

A fisioterapia geriátrica tem como objetivo principal a independência do idoso para as tarefas básicas de atividade de vida diária, no anseio de minimizar as consequências das alterações fisiológicas e patológicas do envelhecimento, garantindo a melhoria da mobilidade e favorecendo uma qualidade de vida satisfatória, que é julgada pelo idoso mais pelo nível funcional e grau de independência do que pela presença de limitações específicas e isoladas. (DIOGO; NERI; CACHIONI, 2004). Além disso, a atuação fisioterápica representa uma estratégia elementar para contribuir para um estilo de vida mais ativo, proporcionando um envelhecer motor e funcional com saúde, qualidade e maior independência funcional possível. (PEREIRA et al., 2002).

Fonte

1- https://www.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/educacao/capacidade-funcional-e-envelhecimento/17010

2- file:///C:/Users/Maquina/Videos/247-Texto%20do%20artigo-4781-1-10-20101023.pdf

Desportiva, Fisioterapia, Geriatria, Ocidental, Ortopedia, Saúde

Estabilização Lombar é Eficaz e Superior ao Fortalecimento Muscular na Redução da Dor Lombar Crônica?

A dor lombar pode acarretar grandes problemas sociais e econômicos e pode atingir 65% das pessoas por ano e 84% das pessoas em algum momento da vida (WALKER 2000). Encontra-se muitas vezes associada com outras dores como a dor de cabeça, abdominal e dor de diferente localização em membros inferiores. A lombalgia pode ser definida como dor entre a 12ª costela e a linha glútea inferior (KRISMER; VAN TUDER, 2007). Ela pode ser classificada como aguda quando a dor não persiste por até 6 semanas, subaguda de 6 a 12 semanas e crônica, que se caracteriza como dor persistente por mais de 12 semanas (HWANGBO et. al., 2015).

O diagnóstico de lombalgia é difícil de ser realizado devido à sua complexidade e diversidade de causas. A dor por desordem musculoesquelética pode ser de origem congênita, degenerativa, inflamatória, infecciosa, tumoral ou mecânico-postural. A lombalgia mecânica pode ser específica ou inespecífica. Na maioria das vezes (90%) ela é inespecífica e ocorre em todas as idades. Temos ainda a de origem viscerogênica (quando a dor é devida a doenças no abdome), vascular (quando acomete a aorta abdominal ou por aneurisma), neurogênica (se dá por lesões nos nervos) e espondilogênica (hérnia de disco ou osteoartrose) (LIZIER; PEREZ; SAKATA, 2012).

Sabe-se que a fraqueza dos músculos profundos da coluna lombar (multífidos) e abdome (transverso) cursa com risco de lombalgia, entretanto, não se pode afirmar que a fraqueza muscular ou o mecanismo neuromuscular deficiente geram dor, ou ainda, se a dor gera fraqueza muscular (MCGILL; KARPOWICZ, 2009). Sobre o fortalecimento muscular podemos dizer que o exercício contra resistência realizado no tratamento de pacientes com dor lombar, mostrou-se eficaz na prevenção e reabilitação no que diz respeito ao trabalho dinâmico dos extensores (COSTA; PALMA, 2005).

A coluna vertebral é um eixo que permite o movimento. Para conseguir manter seu papel de sustentação, a coluna precisa estar estabilizada para prevenir lesões e dores, mas sabemos que nem todos os nossos alunos possuem essa estabilização muito adequada.

A coluna é formada por unidades articulares chamadas de vértebras, isso você já sabe. Cada uma delas possui uma pequena amplitude de movimento que só é ampliada quando todas elas se juntam para a movimentação. Sempre mencionamos o importante dilema da coluna vertebral: a conexão entre mobilidade e estabilidade.

Uma coluna com seu movimento fisiológico precisa das duas características em harmonia. Nosso foco no artigo de hoje é a estabilização, portanto, devemos entender como ela funciona. A estabilização dessa estrutura envolve três subsistemas:

  • Passivo;
  • Ativo.

O sistema passivo é feito pelos ligamentos, estruturas ósseas e articulares. É ele que controla a amplitude articular, desenvolvendo forças reativas ao movimento. Ele é extremamente eficiente e consegue impedir boa parte dos movimentos que seriam lesivos para a coluna. Mas existe uma falha desse sistema próxima à posição neutra articular.

As estruturas articulares, ligamentares e ósseas da coluna exercem pouco ou nenhum suporte nessa posição. Por isso, precisa do auxílio de musculaturas, que são o sistema ativo. Esse subsistema é capaz de estabilizar as estruturas vertebrais, mesmo na posição neutra.

Também existe o sistema neural, que tem sua origem na organização do córtex cerebral. Ele regula as forças exercidas sobre a articulação. Dificilmente conseguimos atuar diretamente no subsistema neural, portanto, focamos nossos esforços nos outros dois.

Instabilidade da Coluna

Mencionamos que a posição neutra das articulações vertebrais são uma região na qual o subsistema passivo é incapaz de atuar. Isso acontece porque os ligamentos localizados em volta das vértebras possuem uma região de frouxidão elevada na posição neutra. Assim, os movimentos realizados dentro dessa zona acontecem com pouca resistência.

É possível que essa zona neutra aumente de maneira não fisiológica. Isso acontece quando os ligamentos ou parte do sistema ativo sofre uma lesão. Felizmente, conseguimos restaurar os limites da zona neutra através do sistema ativo, os músculos.

Portanto, os músculos estabilizadores da coluna vertebral possuem um papel essencial na nossa prática profissional. Entendendo como a instabilidade da coluna acontece conseguimos preveni-la e tratá-la através do movimento.

Transverso Abdominal na Coluna Vertebral

O músculo transverso abdominal é conhecido como um importante e potente estabilizador da coluna. À frente, a musculatura é cortada pela linha alba. Na parte posterior, tem sua ligação com a fáscia toracolombar. Considerando essas estruturas, podemos dividi-lo em transverso direito e esquerdo.

O transverso abdominal também possui um importante papel no controle da pressão intra-abdominal (PIA). Quando ele se contrai acontece o aumento da pressão tanto no abdômen quanto na fáscia toracolombar. Isso acontece principalmente pela posição e orientação das fibras desse músculo. Por estarem orientadas de forma horizontal, sua contração gera uma diminuição da circunferência abdominal.

A compressão do transverso também gera maior estabilização da coluna através da redução de:

  • Forças de cisalhamento que atuam sobre as vértebras;
  • Compressão axial.

Porém, não é o suficiente somente solicitar uma contração desse músculo para garantir a estabilidade. Suas linhas inferiores são responsáveis por tracioná-lo para dentro e para baixo. Por causa delas, a parte inferior do abdômen é contraída, formando um tipo de espartilho no abdômen. Por isso, o transverso abdominal é incapaz de se contrair somente no sentido interno.

Sua contração ocorre de forma ascendente na direção da crista ilíaca. Quando realizada dessa maneira, o aluno consegue contrair o transverso na altura de suas fibras médias e horizontais, aquelas responsáveis pela estabilização da coluna.

O transverso atua junto a outros músculos para garantir a melhor estabilização da coluna vertebral. Os principais deles são:

  • Multífidos;
  • Oblíquos.

Juntas, essas estruturas realizam uma co-contração para preparar a coluna para o movimento. O transverso tem importância extrema por ser o primeiro músculo ativado. Ele diminui a mobilidade da coluna lombar, o que impede dores durante a movimentação.

Problemas na Ativação do Transverso Abdominal

Em pessoas saudáveis o transverso abdominal realiza uma contração antes do movimento. É isso que previne movimentos errôneos da coluna, ou seja, evita lesões. Mas imagino que você já tenha lidado com casos de dor na coluna, em especial lombar, antes. Nem todos os corpos possuem uma ativação correta do transverso.

Alguns indivíduos com dor lombar possuem um atraso na contração desse músculo. Por causa desse déficit de controle motor a coluna perde parte do seu subsistema ativo de estabilização, aumentando a zona neutra de instabilidade articular.

É claro que nem todos os casos de dor lombar, incluindo dor lombar crônica, acontecem somente pela falta de ativação do transverso. Existem diversas causas para esse tipo de patologia, como amnésia glútea e desvios da coluna. Mas é essencial conhecer esse músculo e sua ativação para fornecer o melhor tratamento possível.

Fortalecimento Muscular 

A cinesioterapia é a abordagem que inclui exercícios feitos pelo paciente, chamados de ativos, e os realizados sob manipulação do fisioterapeuta, categorizados como passivos.

Movimentos passivos: são realizados pelo fisioterapeuta enquanto o paciente não exerce qualquer tipo de ajuda. Esse método é usado especialmente em pessoas com dores e inflamações em fase aguda e visa evitar contraturas musculares, manter a integridade dos tecidos e estimular o sistema circulatório.

Alguns exemplos de fisioterapia ativa são massagens, alongamentos e manobras manuais.

Movimentos ativos: englobam exercícios realizados voluntariamente pelo paciente, com ou sem auxílio manual do fisioterapeuta. As ações visam melhorar a amplitude de movimento, a flexibilidade, a coordenação motora, a força e a resistência muscular.

Os treinamentos visam não apenas reabilitar o paciente, mas também evitar complicações que possam comprometer sua qualidade de vida.

Os movimentos podem ser realizados com ou sem o uso de aparelhos, como elástico, halter, anel de pilates, plataforma de deslizamento, meia lua e bola suíça, desde que sempre sejam orientados por um fisioterapeuta, de preferência com especialização em Ortopedia.

Estabilização Lombar

A estabilização segmentar consiste, portanto, no trabalho da musculatura que realiza a estabilização da coluna lombar, de forma a tratar ou prevenir a dor lombar.

Existem diferentes motivos pelos quais os exercícios de estabilização segmentar podem ser prescritos para pacientes com dor lombar. Os fatores que devem ser considerados sempre são: o objetivo do tratamento, as possíveis respostas ao tratamento, e as individualidades de cada pacientes.

Estabilização segmentar é utilizada para a melhora da força, da resistência, e do controle motor do core, e é constituída de exercícios gerais, exercícios específicos de estabilização segmentar, educação do paciente, adaptação de atividades, e, quando necessário, acompanhamento psicológico.

De acordo com estudos recentes, a estabilização segmentar auxilia na redução da dor lombar e melhora a capacidade funcional do paciente, e são recomendados para pacientes com instabilidade segmentar lombar, e com quadros de dor lombar inespecífica de uma forma geral.

Os objetivos do estabelecimento de um programa de estabilização são, principalmente:

  • O desenvolvimento da habilidade de contrair de forma independente os músculos do core;
  • Promover uma melhor sinergia das atividades dos músculos estabilizadores da coluna lombar;
  • Reduzir a hiperatividade de músculos sobrecarregados;
  • Usar da abordagem de reaprendizado motor para desenvolver ainda mais a função da musculatura do core;
  • Garantir a ativação de todos os segmentos musculares, seja através de técnicas de facilitação muscular, seja através de técnicas de biofeedback;
  • Aumentar a capacidade de resistência da musculatura formadora do core;
  • Melhorar a propriocepção relacionada à posição da coluna lombar e do assoalho pélvico, tanto estática quanto dinamicamente;
  • Treinar a força e capacidade de resistência à carga da musculatura;
  • Melhorar o alinhamento postural;
  • Redistribuir as cargas de forma a reduzir sobrecargas em músculos hiperativados e treinar a força e a resistência de músculos hipoativados, tanto estática quanto dinamicamente;
  • Promover progressão do tratamento para que o indivíduo retorne às suas atividades habituais e seja capaz de viver uma vida produtiva e sem dor.

Esses objetivos podem ser trabalhados tanto na musculatura superficial, quando na musculatura profunda, de acordo com as disfunções apresentadas pelo paciente durante a avaliação de estabilidade segmentar.

Estabilização Lombar ou Fortalecimento Muscular na Redução da Dor Lombar Crônica?

No tratamento da dor lombar, o fortalecimento dos músculos do tronco tem sido questionado, uma vez que se submete a coluna vertebral a altas cargas. (MCGILL 2001). A estabilização lombar caracteriza-se por exercícios leves com isometria e sincronia gerando estabilidade e proteção para a coluna (RICHARDSON; JULL, 1995). Nessa revisão, o intuito é tentar esclarecer se o tratamento, baseado nos exercícios de estabilização lombar, é eficaz e superior na diminuição da dor lombar, quando comparada ao fortalecimento dos músculos superficiais do tronco. No entanto, os resultados dos estudos não são conclusivos, pois variações como as características dos indivíduos estudados, o tempo de intervenção e o treino do fisioterapeuta para monitorar o tratamento, podem influenciar os resultados. Assim, não é possível afirmar que a estabilização lombar é superior ao fortalecimento muscular.

Apesar da falta de evidência, os exercícios de estabilização lombar têm sido preferidos pelos fisioterapeutas na reabilitação de pacientes com dor lombar. Mesmo sabendo da sua importância, propor o tratamento apenas com estabilização lombar pode não ser adequado, uma vez que outros tratamentos podem gerar benefícios aos pacientes.

Os músculos transverso do abdome, multífidos e superficiais do tronco são responsáveis pela manutenção da estabilidade da coluna e seu treino pode trazer ao indivíduo proteção contra lesão e redução da dor. Segundo Panjabi (1992), a estabilidade da coluna decorre da interação de três sistemas: passivo, ativo e neural. O sistema passivo constitui-se de vértebras, discos, articulações e ligamentos e oferece estabilidade pela limitação passiva no final do movimento. Os músculos e tendões constituem o sistema ativo e fornecem suporte e rigidez entre as vértebras. O sistema neural é formado pelos sistemas nervoso central e periférico que, juntos, coordenam a atividade muscular ativando o músculo correto no tempo certo, evitando, dessa forma, a lesão e proporcionando a estabilidade dinâmica. Acredita-se que esses três sistemas possam ser independentes e que um possa auxiliar ou compensar o outro. A estabilidade dinâmica é fornecida por músculos que não têm inserção na coluna (reto abdominal, oblíquo externo e iliocostal) e os ligados às vértebras (multífidos, transverso, oblíquo interno e quadrado lombar) (BERGMARK 1989). Uma vez que a estabilidade dinâmica não é dada apenas pelos músculos que se inserem na coluna, é necessário também propor, no tratamento individualizado, o fortalecimento dos músculos superficiais, uma vez que, sem isso, pode ocorrer o desequilíbrio neuromuscular e isso pode ser fonte de dor (RENKAWITZ; BOLUKI; GRIFKA, 2006). Outro fator importante no processo de reabilitação é o de preparar a musculatura para as atividades do dia a dia, aumentando as chances de sucesso do tratamento.

Em seu estudo sobre dor lombar crônica, Tondel et. al. (2010), comparam dois grupos de intervenção, sendo um de controle motor e outro de fortalecimento de músculos superficiais do tronco. Ela avaliou 109 pacientes com dor lombar crônica. No grupo de controle motor foi proposto o fortalecimento da musculatura profunda com carga baixa; o ultrassom foi utilizado como ferramenta de ensino e de avaliação da musculatura do abdome. No grupo de exercício geral foi proposto o fortalecimento dos flexores, extensores e rotadores do tronco com três séries de dez repetições. Também foi realizado o alongamento de membros inferiores e do tronco. Os autores não encontraram diferença significativa entre os grupos em relação à diminuição da dor. Pode-se inferir que esse resultado tenha sido influenciado por uma limitação observada durante o processo de pesquisa. Os autores não realizaram o trabalho de estabilização central dos seus pacientes em atividades da vida diária e apenas aumentaram a atividade e o controle voluntário da musculatura profunda da coluna. Essa particularidade de sua pesquisa pode ter influenciado em seu resultado final. As atividades de vida diária incluem tarefas que o indivíduo desempenha para cuidar de si, tais, como tomar banho, vestir-se, andar, usar a escada, mover-se na cama, ir ao banheiro, comer e etc. (COSTA et. al. 2001). Identificar dificuldades nessas tarefas e incorporá-las ao processo de reabilitação poderia trazer alívio da dor e qualidade de vida ao paciente. Em relação ao fortalecimento muscular, quando pensamos no indivíduo realizando as tarefas cotidianas, podemos perceber que essas tarefas envolvem várias articulações e os movimentos ocorrem muitas vezes em cadeia cinética fechada. Partindo da proposta de Cohen e Rainville, podemos inferir que o fortalecimento deveria ocorrer em em cadeia cinética fechada, reproduzindo dessa forma as tarefas do cotidiano e propiciando a interação com outros agrupamentos musculares (COHEN; RAINVILLE, 2002).

Moon et. al (2013) realizaram um estudo sobre o efeito da estabilização lombar em pacientes com dor lombar crônica, em que foram comparados resultados em dois grupos de intervenção. O grupo de estabilização lombar fez o fortalecimento dos músculos multífidos, transverso do abdome e oblíquo interno. O terapeuta orientou os pacientes com comando verbal e foi utilizada a palpação na manobra de desenho abdominal. O grupo de fortalecimento realizou o trabalho de força na musculatura dos flexores e extensores do tronco. O estudo avaliou 21 pacientes e o autor não encontrou diferença significativa entre os grupos em relação a dor, apesar dos dois grupos apresentarem diminuição.

A pesquisa de Moon em pacientes com dor lombar crônica comparou dois grupos, sendo um submetido a exercícios de fortalecimento muscular e outro submetido a exercícios de estabilização lombar. A força isométrica máxima, quando a variação percentual em cada ângulo (Δ%) foi examinada, foi significativamente maior no grupo de exercícios de estabilização lombar a 0 ° e 12 ° do que no grupo de fortalecimento, sugerindo que a estabilização pode ser responsável por esse resultado, uma vez que os extensores lombares estão em insuficiência ativa por encurtamento.

França et. al. (2010) em seu estudo constrataram a eficácia de dois programas de exercício. Eles compararam um grupo de estabilização central com um grupo de fortalecimento superficial do tronco. Os autores verificaram que ambos os grupos tiveram resultado significativo em relação ao índice de dor e incapacidade funcional após intervenção de seis semanas, e que o grupo de estabilização obteve melhores resultados. Nesse estudo, na avaliação da contração do músculo transverso do abdome, foi usado o dispositivo de Pression Biofeedback Unit (PBU) “Unidade de Biofeedback de Pressão” que facilita o processo de aprendizagem pelo paciente. O estudo não especificou se foi ou não utilizada sobrecarga nos exercícios de fortalecimento e reportou que todos os pacientes realizaram três séries de 15 repetições. Segundo Hides et. al. (2008), indivíduos com dor lombar podem se beneficiar dos exercícios de estabilização para a coluna, uma vez que esses músculos podem estar com estrutura e função comprometidas e isso justificaria a escolha de estabilização central como tratamento. O mesmo autor verificou que a recuperação muscular dos multífidos não ocorre simultaneamente com a diminuição da dor. E a inibição do músculo multífido ocorre com o primeiro episódio agudo de dor lombar (HIDES; RICHARDSON; JULL, 1996). Além disso, os pacientes que têm dor lombar, comparados àqueles que não têm, podem apresentar contração atrasada de transverso e isso pode resultar em uma estabilização central ineficiente (HODGES; RICHARDSON, 1996). Devido à fraqueza da musculatura de estabilização central e atraso na contração, França et.al. (2008) propõe que no início da reabilitação os exercícios sejam prioritariamente leves, específicos e sutis. A progressão deve ser realizada em inúmeros estágios até que sejam alcançadas posições funcionais com o aumento gradual da carga.

Akbari et.al. (2008) realizaram estudo em que compararam dois grupos, sendo um de controle motor e o outro de exercícios gerais. O grupo de controle motor realizou o fortalecimento dos músculos transverso e multífidos e o grupo de exercícios gerais realizou o fortalecimento dos músculos abdominais e extensores do tronco. O objetivo desse estudo foi o de identificar se havia diferença entre os grupos na diminuição da dor e limitação do paciente com dor lombar crônica. Os dois grupos apresentaram diminuição da dor e da limitação antes e depois do tratamento, entretanto entre os grupos não houve diferença significativa. Os resultados de Akbari e Moon corroboram com os achados do estudo de Brumitt, Matheson e Meira (2013), que em seu estudo verificaram que a estabilização lombar quando comparada aos cuidados de clinica geral, isto é, uso de medicamentos, manipulação, injeção de analgésico e educação o programa de estabilização foi superior para melhora da dor e deficiência. Entretanto, quando a estabilização lombar é comparada a grupo de exercícios gerais (exercícios de fortalecimento do tronco), não foi encontrada diferença significativa entre os grupos em grande parte dos estudos selecionados.

Vasseljen e Fladmark (2010) realizou um estudo em que foi usado o ultrassom na região do abdome e transverso abdominal e o paciente era instruído a respirar e realizar a manobra de desenho abdominal. Nesse processo, também foi utilizado o estímulo tátil e verbal. Quando ocorria o correto desenho de manobra abdominal, ocorria também a contração dos multífidos. A redução da dor de forma significativa foi associada ao aumento da contração do transverso abdominal e à diminuição da contração do oblíquo interno. No estudo de Moon et al., também foi utilizado o estímulo tátil e verbal para facilitar o correto entendimento pelo paciente, na realização da manobra de desenho abdominal e seu resultado corrobora com o de Vasseljen e Fladmark pois o grupo de estabilização obteve melhor resultado. Richardson e Jull (1995) propõem estratégias específicas como a palpação, observação na mudança da forma do abdome e uso do PBU para a correta ativação da musculatura profunda. Recomendam ainda que o terapeuta desenvolva uma técnica eficaz de comunicação entre ele e o paciente para o sucesso do tratamento. Podemos dizer que há um consenso que o trabalho de educação do paciente melhora o quadro de dor e as diretrizes apontam que não há diferença entre os tipos de exercícios. A recomendação é que paciente realize exercício sob supervisão, mantenha-se ativo, melhore ou mantenha a flexibilidade, a força e a resistência aeróbia. (LADEIRA 2011)

A abordagem de tratamento da dor lombar pode muitas vezes ser multiprofissional, pois a dor nas costas pode estar relacionada a fatores que envolvam o trabalho, fatores emocionais e socioeconômicos e fatores biomecânicos. De Vitta (1997) encontrou correlação entre a lombalgia e a categoria profissional, sendo que o trabalho físico pesado ou leve pode ser considerado fator que gera processo degenerativo nas articulações da coluna lombar, acomete pessoas com a idade entre 30 e 50 anos e o sexo masculino é mais acometido que o feminino.

Garbi et. al. (2014) investigaram a correlação entre a intensidade da dor lombar, a incapacidade gerada por ela e o nível de depressão em pacientes com dor lombar crônica. Os participantes do seu estudo apresentaram dor de elevada intensidade pois 55% obtiveram dor de intensidade maior ou igual a 8 na Escala de Categoria Numérica. Em relação a incapacidade que foi medida através do Questionário de Rolland Morris, os participantes apresentaram grande incapacidade funcional e no quesito depressão, os participantes apresentaram algum grau de depressão medido pelo Inventário de Depressão de Beck. Nos seus resultados, a autora verificou correlação fraca entre dor e incapacidade e correlação moderada entre incapacidade e depressão, sugerindo que quanto maior a incapacidade, maior a possibilidade de um quadro de depressão e vice-versa.

É importante saber o nível de dor do paciente, pois essa dor pode estar relacionada à sua incapacidade de desenvolver inúmeras atividades e isso pode afetar diversos aspectos da vida diária como o desempenho no trabalho, em uma atividade física, locomoção e auto-cuidado. A incapacidade gerada pela dor pode levar o indivíduo a realizar muitas consultas e diminuir a sua produtividade no trabalho (SALVETTI et. al. 2012).

Em estudo, Nourbakhsh e Arab (2002) investigaram a relação entre fatores biomecânicos e a dor lombar. Ele verificou que a diminuição da resistência dos extensores das costas pode gerar fadiga e sobrecarga aos tecidos e isso pode ser fonte de dor. Outro fator que pode estar associado à dor é a discrepância no comprimento de pernas que por sua vez pode gerar o tilt sacral, afetando a articulação lombosacral, podendo ser fonte de dor, apesar dos autores considerarem essa hipótese fraca. O músculo iliopsoas se insere na coluna e por isso seu comprimento pode gerar alteração na lordose lombar e na geração de força. Essas alterações parecem não influenciar a dor lombar crônica nos pacientes. A influência da pronação da subtalar e o encurtamento dos músculos da panturrilha ainda não estão bem determinados na associação com a dor lombar. Dessa forma, vemos que alterações biomecânicas podem ser a causa e/ou fazer parte do processo que envolve a dor, entretanto, nenhum estudo aborda essa questão no processo avaliativo. Os estudos poderiam avaliar seus pacientes, verificar a existência de tais alterações e propor como parte do seu tratamento.

Sampaio et. al (2005) em seu estudo, compararam três pacientes que tiveram diagnóstico médico de lombalgia crônica e observou que cada um deles diferem no nível da dor, da limitação de atividade e da restrição de participação. Isso prova que a mesma patologia pode ter impacto diferente em cada indivíduo e o terapeuta não pode limitar o tratamento baseado no acometimento de estrutura e função do corpo.

Os estudos abordados apresentam a limitação de não relatarem se houve a avaliação de uma repetição máxima (RM) para uma carga específica e se houve progressão da sobrecarga nos exercícios de fortalecimento muscular. Em relação ao programa de estabilização, o tempo de intervenção não foi adequado se for considerado um programa que inclui o alcance de posições funcionais. Nessa revisão o desfecho é apenas o nível de dor, outros aspectos envolvidos na dor lombar como a funcionalidade, a depressão e a cinesiofobia precisam ser investigados. Mais estudos precisam ser realizados para comprovação dos resultados das intervenções, uma vez que apenas dois artigos apresentaram diferença significativa entre os grupos.

Conclusão

Não é fácil ou simples tratar a dor na coluna lombar e existe um motivo para isso. As disfunções na coluna envolvem musculaturas profundas que são difíceis de trabalhar e fortalecer. Por isso, a escolha dos exercícios e uma avaliação cuidadosa são tão importantes.

A estabilização lombar é eficaz na redução da dor lombar, mas não é superior ao fortalecimento muscular no tratamento da diminuição da dor em paciente com dor lombar crônica. Apesar da estabilização lombar mostrar melhores resultados em alguns estudos citados, mais estudos precisam ser realizados para a comprovação das intervenções. Apesar dos artigos terem uma moderada a boa qualidade metodológica é necessário que os estudos façam a medida de força muscular nos pacientes com testes padronizados como o teste de carga máxima ou sub-máxima.

Fonte

  1. https://repositorio.ufmg.br/bitstream/1843/BUBD-AQFG8K/1/monografia_especializa__o.pdf
  2. https://blogpilates.com.br/importancia-de-trabalhar-transverso-abdominal-para-estabilizacao-da-coluna/
  3. https://www.hong.com.br/fisioterapia-dor-na-coluna/
  4. https://www.institutopilates.com.br/estabilizacao-segmentar-como-estabilizar-a-coluna-lombar/

 

Fisioterapia, Geriatria, Neuro, Ocidental, Ortopedia, Saúde

Neurociência Cognitiva e Afetiva em Dor Crônica

NEUROCIÊNCIA DA DOR - Faculdade Inspirar

No início, na época de René Descartes, não se sabia o que é dor. Pensavam que ela pudesse surgir do coração, tamanha é a relação entre emoção e dor. E, como todos bem sabem, o coração é um órgão que correlaciona-se muito com emoções, devido seu envolvimento direto com o Sistema Nervoso Autônomo.

Descartes, em 1664, dizia que receptores de dor distribuídos pelas partes do corpo captavam informações, e as levavam a campainha da cabeça (glândula pineal), soando um alarme que gerava a sensação dolorosa. Esta foi a base para a ciência para responder o que é dor até 1970.

Por volta de 1900 foram descritos receptores térmicos, mecânicos e químicos espalhados pelo corpo. Estes receptores seriam os responsáveis por enviar sinais dolorosos ao cérebro.

No entanto, hoje sabemos que os estímulos capazes de acionar estes receptores, nem sempre são dolorosos. E mesmo quando eles são altamente dolorosos, a percepção da dor depende da interação com vários outros fatores.

Um exemplo é uma pessoa com lesão muito extensa e dolorosa, mas que precisa fugir de uma ameaça maior e consegue, relatando posteriormente que na hora que precisava fugir ela não sentiu dor.

Outro exemplo são os atletas, que muitas vezes sofrem lesões sérias durante competições, mas continuam até o final, e depois também relatam que no momento da lesão não estavam sentindo tanta dor porque “o corpo estava quente”.

Em contrapartida, um pequeno corte do dedo numa folha de papel pode ser extremamente doloroso.

A dor é uma conhecida experiência subjetiva, sensorial e afetiva, provocada pelo sistema nervoso central. De uma perspectiva muito restritiva, a dor é uma resposta psicobiológica às lesões corporais e representa um sintoma de doença. No entanto, a dor tem consequências positivas para o organismo, uma vez que desencadeia reações fisiológicas e psicológicas direcionadas para a recuperação das funções corporais e a sobrevivência. A partir desta perspectiva adaptativa, a dor cumpre três funções relevantes: alarme, recuperação e comunicação. A experiência da dor serve como um sinal de alerta para indicar a existência de danos corporais no indivíduo. A medição da dor e outros sinais vitais fornecem informações relevantes sobre o funcionamento correto do corpo e, portanto, qualquer alteração nos níveis críticos desses sinais vitais são indicadores da integridade do organismo. O principal problema que a dor apresenta como sinal vital é provavelmente a dificuldade de medi-lo objetivamente no cenário clínico. Deve-se ter em conta que a dor é, fundamentalmente, uma experiência subjetiva. Nos últimos anos, a pesquisa de neurociências está fornecendo novas ferramentas para registrar gravemente dor em humanos.

Além disso, a possibilidade de perceber e experimentar dor permite que os organismos iniciem o comportamento adequado para reparar os danos corporais. Neste sentido, a experiência subjetiva da dor tem características fisiológicas semelhantes a outras sensações subjetivas, como fome, sede ou frio / calor. Assim, por exemplo, a experiência da dor provoca comportamentos típicos para reduzir lesões corporais e para facilitar a recuperação (por exemplo, descansar, massagear a área lesada, tomar analgésicos, expressar raiva, prevenir malvadas, rezar ou reclamar). Além disso, a expressão facial e verbal da dor cumpre uma função importante da comunicação humana social, permitindo que pessoas que compartilhem a mesma cultura compreendam e interpretem com sucesso a dor nos outros. A experiência da dor geralmente desencadeia uma expressão facial caracterizada pela abaixamento e constrição das sobrancelhas, o levantamento das bochechas, a redução da abertura das pálpebras até o fechamento dos olhos, a enrugamento do nariz, a descida da mandíbula e a abertura da boca. Desta forma, a expressão facial da dor, como ocorre com a expressão facial de outras emoções (felicidade, tristeza, raiva, medo, etc.), é caracterizada por um típico padrão de ativação muscular que geralmente é interpretado de forma adequada pela maioria dos indivíduos. Além disso, os padrões de auto-expressão da dor e reconhecimento da dor contêm componentes semelhantes aos de outras expressões emocionais: verbal (gemidos, gritos, etc.), motores (mudanças na postura, expressão facial) e fisiológicos (transpiração, alterações na vascularização de pele e atividade cardiovascular, etc.).

Conforme afirmado pela Associação Internacional para o Estudo da Dor, a dor deve ser definida como uma experiência sensorial e emocional desagradável associada a lesões corporais que podem ser reais ou descritas nesses termos (Associação Internacional para o Estudo da Dor). Como consequência, a avaliação clínica da dor deve incluir uma avaliação de todos esses aspectos, incluindo uma avaliação da função cerebral.

Do ponto de vista neurofisiológico, a dor é definida como uma experiência subjetiva originada pela chegada da informação nociceptiva ao sistema nervoso central, envolvendo diferentes regiões cerebrais intervindo. As funções desempenhadas por essas regiões estão relacionadas a diferentes processos ou funções psicológicas que acompanham a dor. Assim, por exemplo, quando ocorre uma lesão no corpo, pode-se perceber o grau de coceira, ardor ou inchaço, mas também é possível localizar a origem exata dessa sensação no corpo e estimar sua duração e intensidade. Além disso, é possível que a sensação dolorosa atraia toda a atenção, que a dor torna difícil ser distraída por outras atividades, que a dor muda de humor, que a expressão facial se torna mais rígida, que a atividade diária é reduzida e que o paciente busca o consolo de outras pessoas (médico, família, assistência social, etc.). Todos esses exemplos ilustram a ideia de que a percepção da dor vai além de uma mera sensação corporal, mas também essa dor é uma função biológica que é acompanhada por múltiplos fatores psicológicos, como emoções, atenção ou memória. Hoje em dia, sabe-se que uma ampla rede de estruturas cerebrais, incluindo córtices somatossensíveis, giro cingulado, córtex pré-frontal, gânglios basais ou matéria cinzenta periaquedutal, desencadeia a ativação de todos esses processos ou fatores psicológicos durante a experiência da dor.

Há uma influência social e de contexto na sensibilidade da dor, pois ela está relacionada diretamente com a percepção de risco ou ameaça que a pessoa tem.

Muitas vezes os receptores de dor, denominados nociceptores, não estão captando sinal doloroso, pois não há lesão ocorrendo nos tecidos. No entanto, o paciente está sentindo muita dor! E isto é verdadeiro!

Existem quatro mecanismos geradores de dor:

  • A dor nociceptiva: onde há algum dano no tecido estimulando os receptores de dor.
  • A dor neuropática: onde há algum dano no tecido neural, estimulando a dor.
  • A dor nociplastica: onde não há dano no tecido, e consequentemente não há ativação dos receptores de dor. O mecanismo envolvido aqui é a sensibilização central, que vou explicar mais adiante.
  • A dor de origem desconhecida.

Além disso, a dor também pode ser classificada de acordo com o tempo de surgimento:

  • Aguda: quando apareceu há menos de três meses.
  • Crônica: quando apareceu há mais de três meses.
  • Recorrente: quando a dor some por um período e depois volta.

A causa da dor é multifatorial e envolve a qualidade dos tecidos corporais, hábitos de vida, estado emocional, crenças e outros fatores que podem afetar o indivíduo.

Um determinado fator pode estar influenciando fortemente para se descobrir o que é dor naquela pessoa. Em outra pessoa, outros fatores irão impactar mais ou menos.

Por isso, cada caso deve ser avaliado e tratado individualmente, e a resposta irá depender de cada paciente.

Pesquisas recentes estão finalmente elucidando por que os analgésicos tradicionais em geral são ineficazes no tratamento da dor neuropática: os alvos dos medicamentos são apenas os neurônios, enquanto a causa por trás da dor pode estar em células não neuronais disfuncionais chamadas células da glia, que se localizam no cérebro e na medula espinhal. Descobertas sobre como essas células, cuja tarefa é nutrir e regular as atividades dos neurônios, podem se desequilibrar e interromper o funcionamento neuronal inovam no tratamento da dor crônica. A pesquisa fornece ainda perspectiva surpreendente de uma conseqüência infeliz do tratamento atual contra a dor, que afeta algumas pessoas: o vício em narcóticos.

Para entender o que pode causar a persistência da dor depois da cicatrização de um ferimento, é preciso, antes de tudo, conhecer o que provoca a dor. Embora a sensação dolorosa seja percebida no cérebro, as células nervosas que a produzem não se localizam lá, mas sim na medula espinhal, coletando informações sensoriais de todo o corpo. Os neurônios dos gânglios da raiz dorsal (GRD), que representam o primeiro dos três estágios de um circuito de percepção de dor, incham seus corpos celulares, como cachos de uvas, nas juntas entre as vértebras da coluna, lembrando as fileiras duplas de botões de um paletó transpassado indo do cóccix ao crânio. Cada neurônio de GRD, como uma pessoa com os dois braços esticados, estende para fora uma antena delgada, conhecida como axônio ou fibra, para monitorar uma pequena região distante do corpo, enquanto estira seu outro axônio na medula espinhal para tocar um neurônio que retransmite impulsos pelo segundo estágio do circuito da dor, uma cadeia de neurônios da medula espinhal. Essas células espinhais transmissoras de dor reencaminham mensagens dos neurônios GRD até o estágio final, o tronco encefálico e, por fim, o córtex cerebral. Sinais de dor originados do lado esquerdo do corpo cruzam-se dentro da medula espinhal para atingir o lado direito do cérebro, e os sinais do lado direito são enviados ao lado esquerdo do cérebro.

A interrupção do fluxo de informação em qualquer ponto do circuito de três estágios da dor pode aliviar a dor aguda. Anestésicos locais, como a Novocaína usada por dentistas para extrair dente sem dor, adormecem as extremidades dos axônios em torno da região de injeção, impedindo as células de emitir impulsos elétricos. Um “bloqueio espinhal”, frequentemente usado para eliminar as dores do parto, interrompe os impulsos de dor no segundo estágio do circuito, uma vez que feixes de axônios das células dos GRD penetram a medula espinhal para se encontrar com os neurônios espinhais. Esse bloqueio deixa a mãe totalmente consciente para participar do parto indolor e auxiliá-lo. Uma injeção de morfina atua no mesmo local, reduzindo a transmissão de sinais de dor pelos neurônios espinhais enquanto as sensações não dolorosas permanecem intactas. Por outro lado, anestésicos gerais usados em grandes cirurgias interrompem o processamento de informação no córtex cerebral, deixando o paciente completamente inconsciente de qualquer entrada sensorial dos caminhos neurais fora do cérebro.

Os analgésicos naturais do nosso corpo trabalham nas mesmas três partes do circuito da dor. Um soldado em combate carregado com adrenalina pode sofrer uma grave lesão e não percebê-la, porque o córtex cerebral ignora os sinais de dor durante situações ameaçadoras e emocionalmente intensas. No parto natural, o corpo da mulher libera pequenas proteínas chamadas endorfinas, que amortecem a transmissão de sinais de dor assim que entram na medula espinhal.

Hormônios, estados emocionais e muitos outros fatores também podem alterar drasticamente a percepção de dor de uma pessoa, ao modular a transmissão de mensagens ao longo dos caminhos da dor. Além disso, muitos processos biológicos e substâncias que alteram o fluxo e o refluxo das moléculas pelos canais iônicos em células nervosas individuais contribuem em conjunto para regular a sensibilidade dos próprios nervos. Quando ocorre uma lesão, esses fatores podem facilitar os controles de disparo neuronal, auxiliando na tarefa dos neurônios de transmitir os sinais de dor.,Esse estado desimpedido, porém, pode durar tempo demais, deixando as células dos GRD hipersensibilizadas, de modo que emitam mensagens de dor sem estímulos externos. Essa situação é a causa principal da dor neuropática. O aumento da sensibilidade neuronal também pode causar sensações anormais de formigamento, queimação, cócegas e dormência (parestesia) ou, como na sensação de “chuva de facas” do caso de Helen, pode amplificar sensações leves de toque ou temperatura a níveis dolorosos (alodinia).

As tentativas de entender como os neurônios dos circuitos da dor tornam-se hipersensíveis depois de um ferimento há tempos têm se concentrado, o que não causa surpresa, nos eventuais problemas que ocorrem nos próprios neurônios – os resultados já forneceram algumas pistas, mas não um panorama completo do problema. Minha pesquisa e a de vários colegas demonstraram, por exemplo, que mesmo o ato de disparar impulsos para emitir sinais de dor altera a atividade dos genes dentro dos neurônios da dor. Alguns genes regulados por disparos neuronais codificam os canais iônicos e outras substâncias que aumentam a sensibilidade celular. A ativação intensa de células dos GRD quando algum tecido é lesionado pode então causar os tipos de mudanças de sensibilização nesses neurônios, resultando, eventualmente, em dor neuropática. Nossos estudos e o trabalho de outros laboratórios também revelam, entretanto, que os neurônios não são as únicas células que respondem a ferimentos dolorosos e liberam as substâncias que promovem a sensibilidade neural.

As células da glia são muito mais numerosas do que os neurônios na medula espinhal e no cérebro. Elas não disparam impulsos elétricos, como fazem os neurônios, mas têm algumas propriedades interessantes e importantes que influenciam a atividade neuronal. As células da glia mantêm o ambiente químico que envolve os neurônios: além de distribuírem a energia que sustenta as células nervosas, elas absorvem os neurotransmissores liberados pelos neurônios quando eles emitem um impulso a um neurônio vizinho. Às vezes as células da glia até liberam neurotransmissores para aumentar ou modular a transmissão de sinais neuronais. Quando os neurônios são lesionados, as células da glia emitem fatores de crescimento que promovem a sobrevivência e a cura neurais, e liberam substâncias que convocam as células do sistema imune a combater a infecção e promover a cura.

Cientistas já sabem que as células da glia respondem a ferimentos. Na Alemanha, em 1894, Franz Nissl notou que, depois que um nervo sofria uma lesão, as células da glia localizadas onde as fibras nervosas se conectam na medula espinhal ou no cérebro mudavam drasticamente. As células da micróglia tornam-se mais abundantes, e células maiores, chamadas de astrócitos por causa de seus corpos em forma de estrela, muito mais encorpadas, inchadas com feixes grossos de fibras filamentosas que fortificam seu esqueleto celular.

Já se compreendia que essas respostas gliais serviam para promover o reparo dos nervos após o ferimento, mas como elas agiam ainda não estava claro. Além disso, se uma lesão – como um tornozelo torcido – ocorre longe do circuito espinhal da dor, os astrócitos da espinha precisam responder não diretamente ao ferimento, mas às mudanças da sinalização no ponto de retransmissão entre os GRD e os neurônios espinhais. Essa observação implicava que os astrócitos e a micróglia monitoravam as propriedades fisiológicas dos neurônios da dor.

Durante as duas últimas décadas as células da glia demonstram ter diversos mecanismos de detecção da atividade elétrica dos neurônios, incluindo canais para detectar o potássio e outros íons liberados no disparo neuronal de impulsos elétricos; e receptores superficiais para sentir os mesmos neurotransmissores que os neurônios usam para se comunicar através das sinapses. Glutamato, ATP e óxido nítrico são alguns dos neurotransmissores importantes liberados por neurônios que são detectados pelas células da glia, mas existem muitos outros. Esse conjunto de sensores permite que as células da glia monitorem a atividade elétrica nos circuitos neuronais ao longo do corpo e no cérebro e respondam a variações de condições fisiológicas.

Assim que os cientistas reconheceram a abrangência das respostas gliais à atividade neural, as atenções se voltaram ao comportamento suspeito dessas células de suporte em pontos de retransmissão da dor. Se as células da glia estavam monitorando as transmissões neurais da dor, será que também as estariam afetando? Exatamente 100 anos depois da observação de Nissl da resposta da glia a uma lesão no nervo, um simples experimento testou pela primeira vez a hipótese de que as células da glia podem participar do desenvolvimento da dor crônica. Em 1994, Stephen T. Meller e seus colaboradores da University of Iowa injetaram em ratos toxinas que matavam seletivamente os astrócitos, e então verificaram se a sensibilidade dos animais a estímulos dolorosos tinha diminuído. Isso não ocorreu, mostrando que os astrócitos não têm um papel óbvio na transmissão de dor aguda.,Depois os cientistas trataram ratos com um irritante da fibra nervosa que fazia com que gradualmente desenvolvessem dor crônica, semelhante à maneira como o acidente de carro irritou os nervos do tornozelo de Helen. Os animais que receberam veneno contra astrócitos desenvolveram muito menos dor crônica, revelando que os astrócitos eram de alguma maneira responsáveis pelo desencadeamento da dor crônica depois da lesão no nervo.

As células da glia liberam muitos tipos de moléculas que podem aumentar a sensibilidade dos neurônios dos GRD e da medula espinhal que retransmitem sinais de dor ao cérebro, incluindo fatores de crescimento e alguns dos mesmos neurotransmissores que os próprios neurônios produzem. Os cientistas perceberam que as células da glia interpretam disparos neurais rápidos e mudanças neurais induzidas por eles como um sinal de agonia nos neurônios. Como resposta, as células da glia liberam as moléculas sensibilizantes tanto para reduzir o estresse nos neurônios, facilitando sua sinalização, como para iniciar a cura.

Outra classe vital de moléculas geradas pelas células da glia em resposta a danos ou estresse neuronais são as citocinas, abreviação de “citocinéticas”, ou seja, relativas ao movimento celular. As citocinas agem como poderosos faróis químicos que as células do sistema imune seguem para atingir o local de uma lesão. Considere o imenso problema do tipo “agulha no palheiro” que uma célula de seu sistema imune enfrenta ao encontrar uma pequena farpa na ponta do seu dedo. Citocinas potentes liberadas pelas células danificadas pela farpa alertam as células imunes do sangue e da linfa para correr até a ponta do dedo, combater a infecção e iniciar o reparo. Elas induzem também mudanças no tecido e vasos sanguíneos locais que facilitam o trabalho das células imunes e promovem a cicatrização, mas isso resulta em vermelhidão e inchaço. Os efeitos coletivos dos sinais de citocinas são chamados de inflamação.

Uma farpa demonstra quão efetivas são as citocinas ao encaminhar as células imunes a uma ferida, mas ainda mais impressionante é como uma pequena farpa pode ser dolorosa – a dor é muito desproporcional ao minúsculo dano sofrido pelo tecido. Logo, até a área circundando a farpa torna-se inchada e doloridamente sensível, embora essas células vizinhas não tenham sido danificadas. A dor em torno de uma ferida é causada por outra ação de citocinas inflamatórias: elas amplificam muito a sensibilidade das fibras de dor. Sensores de dor supersensíveis próximos a uma lesão são a maneira de o corpo fazer com que nós deixemos a região em paz para que possa cicatrizar.,Os neurônios, como regra geral, não são a fonte das citocinas do sistema nervoso – esse papel é das células da glia. E, da mesma maneira como as citocinas podem tornar hipersensíveis as terminações nervosas em torno de uma farpa no dedo, as citocinas liberadas pelas células da glia na medula espinhal em resposta aos sinais intensos de dor podem se espalhar para as fibras nervosas vizinhas e também torná-las hipersensíveis. Pode-se então iniciar um ciclo de neurônios supersensibilizados que disparam desenfreadamente, induzindo as células da glia a um estado reativo, no qual elas liberam mais fatores sensibilizantes e citocinas, na tentativa de aliviar a tensão nos neurônios, mas, ao contrário, acabam prolongando-a. Quando isso ocorre, a dor pode se originar dentro da medula espinhal a partir de fibras nervosas que não estão diretamente lesionadas.

As respostas iniciais das células da glia a uma lesão são benéficas para a cicatrização, mas, se forem intensas demais, ou se continuarem por tempos longos demais, o resultado é uma dor crônica incontrolável. Vários grupos de pesquisa têm documentado os ciclos de retroalimentação que induzem as células da glia a prolongar a liberação de fatores sensibilizantes e sinais inflamatórios que levam à dor neuropática, e muitos têm realizado experimentos para tentar reverter esses processos. Esse trabalho conseguiu até desenvolver maneiras de tornar mais efetivos os medicamentos usados para tratar a dor aguda.

Tendo tudo isso em mente, assim como que a função e movimento são objetivos claros, o Fisioterapeuta deve elaborar um programa de tratamento individualizado que combine os técnicas apropriadas, desde o exercício e terapia manual, à educação!

  • Exercício – estudos demonstram que pessoas que se exercitam regularmente sentem menos dor. Por isso, é vital desenvolver, administrar e ajustar, constantemente, as prescrições e programas de exercícios para intervir sobre a capacidade cardiorrespiratória, força, desequilíbrios musculoesqueléticos ou outras disfunções que podem levar à dor.
  • Terapia manual – as técnicas de terapia manual envolvem manipulação das articulações e tecidos para modular a dor, melhorar a mobilidade e reduzir o edema e inflamação. Pesquisas efetuadas, mostraram que a terapia manual é eficaz na redução da dor lombar, desconforto associado à síndrome do túnel do carpico e outras fontes de dor.
  • Gestão de stress – intervenções como atenção plena, relaxamento, visualização e exposição gradual a eventos produtores de stress pode ajudar os pacientes a reduzir a dor e melhorar suas capacidades funcionais.
  • Higiene do sono – indivíduos com dor persistente frequentemente queixam-se de distúrbios do sono. Ora, a evidência demonstra que a privação do sono pode aumentar os níveis de sensibilidade e contribuir para o aumento do stress e da dor.
  • Educação em neurociência da dor: está comprovado que as pessoas com dor que não compreendem os mecanismos de gênese fatores de risco para a sua dor, são mais propensos a procurar tratamento farmacológico. Desta forma, os Fisioterapeutas devem educar os pacientes sobre a neurociência da dor, destacando os processos envolvidos. O ditado “conhecer a dor, saber o ganho” pode capacitar os pacientes e fornecer esperança e encorajamento na sua jornada para lidar e superar a dor persistente.

Fonte:

  1. https://www5.bahiana.edu.br/index.php/fisioterapia/article/view/1826/1208
  2. https://www.bwizer.com/pt/bwizer_academy/papel_do_fisioterapeuta_da_dor_cronica.html
  3. https://sciam.uol.com.br/os-novos-culpados-da-dor-cronica/
  4. https://janainacintas.com.br/o-que-e-dor-conceitos/

 

Fisioterapia, Massoterapia, Ocidental, Oriental, Saúde

Mindfulness e a Dor Crônica

Conheça os benefícios do mindfulness para os vestibulandos | Educa ...

Mindfulness – ou Atenção Plena –  é um estado onde treinamos qualidades de atenção ao momento presente e autocompaixão com experiências desafiadoras. Através do treinamento de mindfulness aprendemos a perceber pensamentos, sensações corporais e emoções no momento que ocorrem, sem reagir de maneira automática ou habitual. Com isso, aprendemos a fazer escolhas mais conscientes e funcionais, influenciando positivamente na maneira como lidamos com os desafios cotidianos. Através de Mindfulness, aprendemos a regular as emoções desafiadoras e  criar espaço mental, mesmo em circunstâncias difíceis.

Para entendermos como mindfulness pode ajudar pessoas com dor crônica, é fundamental compreendermos os conceitos de “sofrimento primário” e “sofrimento secundário”, que são ideias adaptadas da filosofia budista.

O “sofrimento primário” é o sofrimento original, que está realmente presente. No caso da dor, seriam as sensações corporais desagradáveis.

O “sofrimento secundário” seria aquele que criamos a partir do “sofrimento primário”  – em geral, a partir de pensamentos e ideias produzidas no “piloto automático”, sem tomarmos consciência de que as estamos criando. No caso da dor crônica, chamamos esse “sofrimento secundário” de “catastrofização”.

Exemplos de “catastrofização” ocorrem quando enfrentamos a dor criando ideias e pensamentos do tipo “O que eu fiz de errado para merecer isso?”, “Por que comigo?”, “Nunca mais terei uma vida normal”… Ou quando negamos a existência da dor (chamamos de “evitação”) e continuamos fazendo coisas em nosso dia a dia que pioram o quadro, como tomar excesso de medicamentos ou exagerar nos esforços físicos.

A prática regular de mindfulness nos permite uma aproximação mais consciente com os 2 tipos de sofrimentos (primário e secundário) gerados pela dor crônica, diluindo aos poucos a “evitação” e também prevenindo o “sofrimento secundário”  (“catastrofização”), melhorando assim a qualidade de vida. A prática de body scan ou escaneamento corporal é uma das técnicas de atenção plena mais usadas para o desenvolvimento dessa habilidade de perceber o surgimento do “sofrimento secundário”, permitindo o aumento da consciência corporal e de uma atitude mais positiva em frente à dor.

A dor crônica é uma das patologias com mais estudos científicos mostrando a eficácia dos programas de mindfulness. Os resultados mais recentes nos dizem que há melhora  da intensidade da dor entres os praticantes regulares de mindfulness, sendo que os efeitos mais evidentes são sobre a qualidade de vida, como, por exemplo, a menor interferência da dor no dia a dia, diminuição da incapacidade para desempenhar as tarefas de casa e do trabalho, e menos sintomas de depressão e ansiedade relacionados à dor crônica.

Esses efeitos positivos são demonstrados nos vários tipos de dor crônica: fibromialgia, cefaléias e enxaquecas, artrite reumatoide, dores musculoesqueléticas, como a dor lombar, e também nas dores menstruais síndrome pré-menstrual.

Como praticar?

Marcelo Demarzo, professor do departamento de medicina preventiva e coordenador do Mente Aberta da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), explicou que os benefícios do mindfulness podem ser obtidos com 40 ou 5 minutos de prática, o importante é tirar um tempo do dia para fazer isso.

Caso não seja possível procurar um profissional qualificado para guiar a prática, esta pode ser realizada também sem auxílio:

  • Tire um tempinho para você:  para começar, tente reservar de 10 a 20 minutos por dia para a prática. A meditação não pode ser realizada por muito tempo, porque a mente humana é programada também para vagar;
  • Hora de respirar:  sente-se ou fique em pé de forma confortável, em um lugar quieto. Respire naturalmente. Relaxe, focando as sensações de seu estômago, peito ou narinas. Se sua mente vagar, traga a atenção de volta à respiração;
  • Foque em algo do seu dia: o próximo passo é tentar levar a consciência do aqui e agora para cada atividade do dia. Por exemplo, repare na temperatura da água e no movimento de suas mãos enquanto lava a louça;
  • Mindfulness em diferentes situações:  você pode experimentar este tipo de meditação em diferentes ocasiões, como em uma discussão com um amigo. Pratique a consciência respiratória e depois, mesmo no ápice do conflito, esteja atento à respiração, ao corpo e às emoções. Permaneça no momento, em vez de já ficar bolando como responderá a alguma ofensa. Isso vai ajudá-lo a ser um melhor ouvinte e a evitar de dizer algo de que se arrependerá depois;
  • Saiba como parar: se em qualquer momento você se sentir frustrado, volte à etapa respirar. Observe o que está acontecendo internamente e a sua volta. Em seguida, prossiga com o que estava fazendo. Sua condição emocional se tranquilizará.

Fonte

  1. https://www.iniciativamindfulness.com.br/oque
  2. https://drmarcelodemarzo.com/como-lidar-com-a-dor-cronica-mindfulness-pode-ser-uma-opcao-efetiva/
  3. https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2019/02/03/mindfulness-e-alternativa-promissora-para-combater-dor-cronica.htm
  4. https://meucerebro.com/meditacao-mindfulness-5-passos-para-voce-desenvolver-a-concentracao/
Fisioterapia, Geriatria, Ocidental, Ortopedia, Saúde

Cinesioterapia no Tratamento da Gonartrose em Idosos

Tratamento para artrose - Instituto Trata

A gonartrose é uma patologia do joelho, de caráter inflamatório e degenerativo, que provoca a destruição da cartilagem articular podendo levar a uma deformidade complexa na articulação de caráter progressivo e que, na maioria dos casos, provoca desvios em varo.

É a soma de modificações morfológicas, bioquímicas e moleculares das células e da mariz celular, que causam um amolecimento, fibrilação, ulceração e até a perda da cartilagem articular. Além de causar também uma esclerose e uma eburnificação óssea subcondral, osteófitos e cistos subcondrais (PORTER, 2005).

Pode afetar tanto a articulação patelofemoral (mais precocemente) como a tibiofemoral (medial ou lateral). Nos casos mais evoluídos ambas se encontram comprometidas.

Com o envelhecimento, várias alterações estruturais e bioquímicas ocorrem nos proteoglicanos, componentes da matriz cartilaginosa. Tais alterações fazem com que a sua capacidade de reter água seja reduzida. Com essa desidratação, ocorre uma menor resistência à compressão. Então surgem as fissuras na cartilagem envelhecida devido às microfraturas na estrutura de colágeno da matriz (SANCHEZ et al., 2007; VANNUCI et al., 2000). O envelhecimento leva ainda a uma diminuição da função dos condrócitos e da elasticidade dos tecidos periarticulares (CHIARELLO; DRIUSSO; RADL, 2005).

A reabilitação física é indicada como coadjuvante no tratamento da OA, ou até mesmo, de forma isolada, principalmente quando há uma intolerância ou contra-indicações ao uso de medicamentos. Os exercícios físicos atuam no ganho, manutenção da função articular e no controle da dor. As situações principais para a indicação da fisioterapia são: dor e rigidez articular; perda da mobilidade articular (ADM); desalinhamento da articulação ou uso anormal desta; sintomas de fraqueza muscular; fadiga e resistência cardiovascular reduzida; alterações na marcha e no equilíbrio (BIASOLI; IZOLA, 2003; MARQUES; KONDO, 1998).

Os principais objetivos do tratamento fisioterapêutico em pacientes com gonartrose são: manter/aumentar a mobilidade articular (ADM articular); manter/aumentar o alongamento muscular da articulação afetada, melhorando assim, a estabilidade articular; melhorar a biomecânica articular para manter o alinhamento correto e diminuir a sobrecarga sobre a articulação e, sobretudo, aliviar o processo álgico e a rigidez articular (BIASOLI; IZOLA, 2003; LANGA, 2003).

Segundo Marques e Kondo (1998), enquanto muitos trabalhos científicos anteriores a 1980, mostravam a cinesioterapia como inapropriada para tratar pacientes com OA, por acreditarem que os exercícios causariam estresse e esforço indevido na articulação lesionada, piorando assim o processo inflamatório e degenerativo, outros trabalhos científicos contradizem esta idéia. Tais estudos constataram que a inatividade e imobilização da articulação acometida contribuíam, de forma expressiva, para a diminuição da força muscular, perda da capacidade funcional, além da diminuição da capacidade aeróbica. Sendo assim, os autores supracitados, concluíram que manter a mobilidade articular é muito importante para os pacientes com OA, pois a perda da ADM leva a um encurtamento muscular, contratura dos músculos e das estruturas capsulares, dificultando ainda mais a funcionalidade.

Um estudo realizado por Dantas e Vale (2004), mostrou que idosos que praticam atividade física regular apresentam melhor condicionamento físico e um melhor desempenho nas atividades que necessitem de força muscular, e principalmente, de membros inferiores.

A eficácia da cinesioterapia no tratamento da gonartrose de idosos foi comprovada no estudo experimental de Furtado et al. (2009), ao compararem este recurso com a eletroterapia. Foram selecionados 10 idosos que realizaram alongamentos de isquiotibiais, tensor da fáscia lata e tríceps sural; mobilização patelar; movimentos osteocinemáticos e artrocinemáticos. No outro grupo, 10 idosos realizaram eletroterapia com TENS e Ultra-som. O ganho de ADM e da analgesia ocorreu tanto no uso da eletroterapia quanto na cinesioterapia, porém, com maiores níveis de ganho no movimento de extensão através da cinesioterapia.

Marques e Kondo (1998) salientam ainda que a cinesioterapia melhora/mantêm a força muscular, a mobilidade articular, a resistência muscular e a funcionalidade, além de tender a diminuir a dor, pois diminui as alterações biomecânicas relacionadas à OA.

Exercícios Indicados para a Gonartrose

Os exercícios são amplamente utilizados no tratamento de pacientes com artrose no joelho pois aumentam a força muscular, melhoram a mobilidade e nutrição articular, inclusive a resistência, promovem o ganho de funcionalidade, aumentam a densidade óssea, diminuem a dor, e atuam na melhora da biomecânica.

Os exercícios isométricos são utilizados com o objetivo de alívio da dor e prevenção de atrofia muscular, já os exercícios isotônicos têm a finalidade de desenvolver a estabilidade articular e postural.

Os exercícios que promovem o fortalecimento da musculatura são imprescindíveis pois a fraqueza que envolve a articulação afetada contribui para a incapacidade do paciente. Inicialmente recomenda-se os exercícios isométricos por ser bem tolerados e pela pouca probabilidade de acabar causando um processo inflamatório, sendo realizados em amplitudes de movimentos articulares que não causem dor, ainda sabe-se que a pressão intra-articular durante esse tipo de exercício é pequena e a destruição do osso subcondral também é mínima comparado a outros tipos de exercícios.

Quando a dor e a inflamação estão controladas utilizam-se os exercícios isotônicos, afinal apresentam mais ganho de força, resistência, capacidade aeróbica e habilidade funcional do que os exercícios isométricos. Dessa forma beneficiando além da função muscular a capacidade aeróbica nos pacientes com gonartrose. Portanto, podem ser acrescentados os exercícios aeróbicos (como caminhada, corrida e natação) assim que apresentar um aumento na força muscular e endurance para inclusive obter melhora em relação a parte cardiovascular.  Nota-se que assim que o paciente começa a apresentar um  progresso na capacidade aeróbica inclusive os exercícios recreacionais são mais tolerados.

Os alongamentos proporcionam o aumento da mobilidade dos tecidos moles e aumento da amplitude de movimento; os exercícios de fortalecimento muscular são usados para promover a melhora da estabilidade articular; e os exercícios de flexibilidade proporcionam o movimento articular de forma suave e confortável a partir de uma amplitude de movimento irrestrita e sem causar quadro de dor.

Ainda são indicados caminhadas, treino de habilidades, exercícios sensoriomotores, e treino de propriocepção.

Fonte

  1. http://repositorio.faema.edu.br/bitstream/123456789/56/1/MEDEIROS%2C%20K.%20C.%20-%20%20A%20IMPORT%C3%82NCIA%20DA%20CINESIOTERAPIA%20NA%20GONARTROSE%20DO%20IDOSO.pdf
  2. http://docs.bvsalud.org/biblioref/2018/10/916074/7428-49403-2-pb.pdf
  3. https://blogfisioterapia.com.br/tratamento-da-gonartrose/
Fisioterapia, Geriatria, Ocidental, Ortopedia, Saúde, Saúde da Mulher

Pilates Terapêutico

Pilates Terapêutico

O pilates é um método de exercícios físicos focado na força, equilíbrio, flexibilidade e resistência muscular. Ele se diferencia da maioria das atividades por ser extremamente seguro e de baixo impacto, reduzindo as ocorrências de lesões. Está atrelado à disciplina e à conexão com a mente, sendo também um poderoso aliado para o espírito dos praticantes.

Sua história teve início em 1883 na Alemanha, com o nascimento de seu idealizador, Joseph Pilates. Na infância, ele sofreu com diversos problemas de saúde, como asma e raquitismo. Tais dificuldades o levaram a ser um ávido estudante das atividades físicas e o fizeram chegar à idade adulta livre das doenças que o acometiam durante a infância.

Sesión de Pilates: Como corregir la postura | Pilates, Zumba ...

Durante muito tempo, o pilates ficou centrado nos praticantes de atividades físicas, principalmente os dançarinos. Isso começou a mudar nos anos 90, com o surgimento de algumas pesquisas sobre dores e exercícios focados na reabilitação de lesões. Aos poucos, o pilates terapêutico — também conhecido como clínico — começou a tomar forma.

Nos dias atuais, o método é utilizado como terapia alternativa para o tratamento de diversos tipos de lesões e desconfortos. Em sintonia com a fisioterapia, a prática tem sido uma grande aliada contra as lombalgias e dores que minam, pouco a pouco, a qualidade de vida da população.

Entre os profissionais capacitados para direcionar os exercícios, podemos citar os fisioterapeutas, educadores físicos e professores especializados. Cursos de formação com qualidade e com boas certificações qualificam os profissionais a lecionarem sem a necessidade de uma formação universitária.

Os benefícios podem ser creditados ao fortalecimento dos músculos estabilizadores da coluna e do core (tronco e pelve), responsáveis pelo equilíbrio, postura e pela estabilidade corporal.

Embora possua inúmeros benefícios e seja seguro, o pilates não deixa de ser uma atividade física e deve ser feito com responsabilidade. Por isso, é importante que uma consulta prévia seja feita com um médico, para a liberação da prática.

Os benefícios do Pilates terapêutico

Melhora no estado geral de saúde

Todos nós sabemos que a prática de atividades físicas é extremamente benéfica para a saúde, certo? No entanto, é muito comum que as associem apenas às atividades aeróbicas, como caminhadas ou corridas, ou à musculação.

Poucos sabem que o pilates terapêutico carrega em si um pouco dos dois mundos. Ele também é responsável pela queima de calorias e auxilia na construção muscular, além de conferir uma sensação de bem-estar graças à liberação de hormônios como as endorfinas, o que auxilia na redução dos sintomas de estresse.

Esse tipo de atividade é democrática, podendo ser praticada por pessoas de diferentes faixas etárias, incluindo crianças e idosos, e ajuda na melhoria da qualidade de vida por meio do tratamento de dores e lesões. Com ela, há a certeza de melhoras no âmbito físico e mental!

É ótimo para futuras mamães

O pilates terapêutico pré-natal é uma atividade completa para as gestantes. Ele é um ótimo aliado contra algumas dores que fazem parte da gravidez.

Além disso, o alongamento e fortalecimento dos músculos pode garantir um parto mais tranquilo e uma recuperação mais rápida. Podemos citar o exemplo do fortalecimento do assoalho pélvico, essencial para a prevenção de incontinências urinárias e de algumas outras questões do sistema geniturinário feminino.

Eficaz para a reabilitação e prevenção de lesões

Ele é uma ótima maneira de fazer a reabilitação — e, lógico, a prevenção — de lesões. Os movimentos precisos e calculados são os principais responsáveis por essa melhora, que ocorre gradualmente, de maneira natural.

Os resultados têm origem no avanço do suporte muscular, um dos pilares do pilates. Pessoas com músculos mais fracos e tecidos menos protegidos estão mais propensas a se machucarem do que aquelas que estão fortalecidas.

Melhora o equilíbrio, a postura e a coordenação motora

O fortalecimento do core e dos músculos que sustentam a nossa coluna é o principal motivo do aumento da força nesse local. Aquele que possui uma postura correta está trabalhando na manutenção dos nervos que circulam esta área tão sensível do corpo e, consequentemente, prevenindo dores e lesões. Para os que já sofrem com dores na coluna, o pilates terapêutico é um santo remédio.

Ajuda a curar e prevenir dores

A rotina atual da população é um prato cheio para o surgimento de dores e desconfortos. Tais problemas são causados por posições comuns do dia a dia, como passar horas diante do computador ou mexer frequentemente no celular.

A prática também pode ser benéfica para aqueles que sofrem com dores crônicas e com problemas mais sérios, como hérnias de disco e outras patologias do gênero. Para esses casos, no entanto, é necessário um acompanhamento médico mais próximo.

Pilates – Instituto Cuidados do Corpo

Uma das principais indicações do pilates clínico diz respeito às pessoas que sofrem com dores relacionadas ao sistema musculoesquelético. No entanto, ele é altamente indicado também para quem busca a prevenção de tais problemas.

Além disso, a prática traz vantagens para diversos grupos de pessoas, sendo extremamente flexível e beneficiando praticamente todos os indivíduos.

Mulheres grávidas e pessoas que estão se recuperando de cirurgias também podem se beneficiar com a prática, especialmente se os procedimentos foram feitos em áreas como as costas, quadris, ombros e pescoço. Atletas que se recuperam de lesões, como as do joelho, ou buscam preveni-las também podem ser bons candidatos ao pilates terapêutico.

Vale lembrar que embora a atividade seja bacana para os que praticam esportes ou têm uma vida mais agitada, ela também é indicada para sedentários, sendo inclusive recomendada para os que sofrem com a obesidade, pois é uma atividade física de baixo impacto, que não força as articulações.

Também é indicado para quem sofre com tendinite (ou outras síndromes ligadas ao esforço repetitivo) e para os que lidam com problemas cardiovasculares. A prática diminui os níveis de colesterol, melhora a circulação sanguínea e pode ser indicada para pessoas que sofreram infartos ou fizeram cirurgias cardíacas recentemente.

Por fim, podemos citar os benefícios para o grupo de indivíduos que convive com problemas neurais, neurológicos e ósseos. O pilates estimula a produção de líquido sinovial, que lubrifica as articulações e auxilia pessoas com osteoporose e artrite a voltarem a se movimentar com segurança. Além disso, há indícios de que a prática pode ajudar portadores de Parkinson e Alzheimer.

Exercícios

Conclusão

Praticar o pilates terapêutico é uma ótima pedida para aqueles que buscam mais qualidade de vida, longevidade e bem-estar. A prática permite o desenvolvimento da consciência corporal, além de aumentar a força e a flexibilidade. Como bônus, ela estimula, e muito, a conexão entre corpo e mente, diminuindo os níveis de estresse.

Como se isso não fosse o bastante, o pilates pode ser praticado por jovens e idosos, mulheres e homens, sem distinção de cor, raça ou posição social.

No entanto, é sempre importante salientar a importância da liberação médica para a prática de qualquer atividade física, especialmente se você é portador de dores crônicas ou tem algum problema de saúde um pouco mais sério. Não deixe de tirar a teima em sua próxima consulta!

Chega de sofrer com as dores! O que você está esperando para se livrar de todas elas de uma vez por todas, dar adeus aos desconfortos e viver uma vida plena, sem restrições? Comece o quanto antes e confira de perto todos os benefícios dessa prática!

Fisioterapia, Geriatria, Ortopedia, Saúde

Comparação do Desempenho Físico em Testes de Equilíbrio Corporal em Idosos Caidores e não Caidores

O idoso e a legislação brasileira: considerações acerca das ...

O envelhecimento populacional é um fenômeno observado mundialmente e ocorre devido à crescente expectativa de vida e a redução na taxa de fecundidade (UNITED NATIONS, 2002). Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC), em 2018 o Brasil possuía 10,53% da sua população com 65 anos ou mais de idade, um aumento de aproximadamente 20% em relação à taxa registrada em 2012.

Os idosos também estão mais presentes entre as mulheres e entre amarelos e/ou brancos, uma vez que esses são os grupos sociais que apresentam maior expectativa de vida e uma taxa de fecundidade ligeiramente menor.

O envelhecimento é caracterizado como um processo biológico de declínio dos sistemas do corpo (MUSCARITOLI et al., 2012). Este processo predispõe à população idosa a um risco maior a quedas. Alterações posturais, diminuição da força e potência muscular, sarcopenia, acúmulo de gordura e atrofia intramuscular e diminuição de unidades motoras são fatores encontrados nesta população (MUSCARITOLI et al., 2012). Narici e Maffulli (2010) mencionam que após os 50 anos, perde-se cerca de 1-2% de massa muscular ao ano, com perda de força associada (NARICI; MAFFULLI, 2010). Rubenstein e Josephson (2002) cita que a diminuição da força muscular aumenta em 4 vezes as chances de ocorrer uma queda (RUBENSTEIN; JOSEPHSON, 2002). Alterações nos sistemas visual, vestibular, proprioceptivo e a diminuição de velocidade de reação são, dentre outros fatores, os que influenciam na estabilidade postural (MENZ; LORD; FITZPATRICK, 2003).

Global Care • Atenção aos riscos de quedas deve ser contínua

Entre as principais causas de quedas na terceira idade, estão os fatores relacionados ao envelhecimento, como diminuição da visão, fraqueza na musculatura e alterações no equilíbrio.

Outros problemas que também podem causar quedas nos idosos são:

  • Doenças que afetam o sistema motor, como Parkinson, esclerose múltipla, hidrocefalia, artrose no joelho e neuropatia diabética – um tipo de dano do nervo que pode ocorrer quando há diabetes.
  • Sequelas físicas relacionadas ao acidente vascular cerebral (AVC).
  • Problemas na visão como catarata.
  • Consumo de bebidas alcoólicas.
  • Uso de medicamentos, como sedativos, hipnóticos e ansiolíticos.

No geral, há mais registro de quedas entre as mulheres do que os homens na terceira idade. Ainda não se sabe exatamente o motivo dessa diferença, mas, com o envelhecimento, as mulheres tendem a acumular mais doenças que podem aumentar o risco de cair, como artrose e diabetes.

Gottfridsson em 2015 fez um estudo verificar a influência do exercício físico no equilíbrio corporal relacionado à prevenção de quedas em idosos com e sem histórico de quedas. Fizeram parte da amostra 23 idosos integrantes do projeto de extensão Centro de Estudos de Lazer e Atividade Física do Idoso – CELARI na modalidade de equilíbrio da Escola de Educação Física da UFRGS, voluntários, de ambos os sexos, com idade entre 60 e 90 anos. Os participantes foram divididos entre dois grupos: a) idosos com histórico de quedas (caidores); b) idosos sem histórico de quedas (não caidores). O estudo foi do tipo quase- experimental e a análise de dados foi a estatística descritiva (frequência e percentual da classificação dos testes) com auxílio do software SPSS 18.0. Para avaliação de equilíbrio foram aplicados três testes: Alcance Funcional (AF); ´Timed Up and Go´ (TUG); Apoio Unipodal Anterior (AU). Os resultados indicaram que a média de idade foi de 75,4±6,68 anos. Verificou-se alteração no teste de Alcance Funcional nos dois grupos analisados: AF pré intervenção: caidores 55,6% baixo risco de queda; não caidores 69,2% sem risco de queda); pós intervenção: caidores 77,8% sem risco de queda, não caidores 92,3% sem risco de queda. No Apoio Unipodal indicou alteração somente para o grupo caidores na pré intervenção: caidores 44,4% baixo risco de quedas; não caidores 76,9% baixo risco  de quedas; e, pós intervenção: caidores 55,6% baixo risco de quedas; não caidores 76,9% baixo risco de quedas. No TUG ocorreu uma redução do número de idosos caidores na classificação para baixo risco de quedas: TUG pré intervenção: caidores 100%; não caidores 100%; pós intervenção: caidores 88,9%; não caidores 100%. Constatou-se assim que, a intervenção proposta produziu melhora nos índices de equilíbrio corporal dos idosos, o que pode influenciar na diminuição no risco de quedas.

Marcon em 2017 fez uma pesquisa comparando o desempenho físico em testes de equilíbrio corporal em idosos caidores e não caidores. Participaram da pesquisa pesquisa 70 idosos, com idade igual ou acima de 60 anos, saudáveis, residentes da cidade de Araranguá – SC. Os voluntários foram avaliados quanto aos seguintes itens: Capacidade cognitiva pelo Mini Exame do Estado Mental; Avaliação da preocupação de sofrer uma queda pela Escala de Medo de quedas (FES-I Brasil); Avaliação do equilíbrio estático e dinâmico pela Escala de Equilíbrio de Berg; Avaliação do equilíbrio dinâmico pelo Marcha Tandem; Avaliação da mobilidade pelo Timed Get Up and Go; Avaliação indireta da força em membros inferiores pelo Teste de Sentar e Levantar da Cadeira; Avaliação da potência e velocidade da marcha pelo Velocidade da Marcha; Avaliação da força e mobilidade em membros inferiores pelo Y‐Balance Test. Concluiu que o desempenho físico para o equilíbrio corporal avaliados com os testes descritos acima obtiveram diferença entre idosos caidores e não caidores com a correlação entre o medo de sofrer queda e menor desempenho nos testes de equilíbrio corporal em idosos.

Bispo, Silva e Silva em 2018 fez um estudo transversal, observacional, realizado com 10 voluntários idosos comunitários, com idade mínima de 60 anos e a máxima de 73 anos e com diferentes níveis de condicionamento físico. Foram utilizados o Teste de Alcance Funcional (TAF), a Escala de Equilíbrio de Berg (EEB), o teste Timed Up and Go (TUG) e o teste ainda não validado para a comunidade americana, nominado na Alemanha de Gleichgewichtstest (GGT), com sua tradução Teste de Equilíbrio Corporal (TEC). Houve corroboração dos testes EEB e TEC, TUG e EEB chegando a resultados relevantes entre si para melhor avaliação dos idosos. Em relação ao TAF com os demais testes não corroboraram entre si, mediantes aos resultados apresentados. Contudo os testes são complementares, os dados mostram as peculiaridades e limitações de cada teste. Torna-se razoável, a aplicação conjunta desses instrumentos para melhor avaliação de equilíbrio dos idosos.

Fontes

  1. https://www.hospitalsiriolibanes.org.br/sua-saude/Paginas/prevencao-quedas-idosos.aspx
  2. https://repositorio.ufsc.br/bitstream/handle/123456789/182452/TCC%20Ana%20Carolina%20Marcon.pdf?sequence=1&isAllowed=y
  3. https://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/129773/000977438.pdf?sequence=1
  4. http://gestaouniversitaria.com.br/artigos/analise-comparativa-de-testes-de-equilibrio-para-prevencao-de-quedas-em-idosos–2
Fisioterapia, Geriatria, Massoterapia, Ocidental, Saúde

Massagem para Idosos

Serviços para a terceira idade: Massoterapia e seus benefícios

O aumento da expectativa de vida no mundo moderno tem aumentado a busca por terapias complementares e contemplativas que contribuam para o envelhecimento saudável, que evitem o aparecimento de dores, ou seja, que sejam aliadas à saúde integral do idoso.

Dentre essas técnicas, a mais presente é a massagem terapêutica, a qual também é bastante estudada, fortalecendo, inclusive, a relação entre pesquisa acadêmica e massoterapia em idosos.

A massagem pode trazer benefícios físicos e mentais a essa população, pois massagear o corpo pressionando determinados pontos com uma certa intensidade (maior ou menor, conforme o caso), não só aumenta a elasticidade da pele e dos movimentos, como pode eliminar dores, desde as resultantes de muculos contraídos às provocadas por problemas com origem em órgãos profundos.

Aplicar massagem terapêutica em idosos é tão gratificante quanto exigente, tratando-os com a dignidade merecida, ainda que o seu nível de consciência possa apresentar diversos graus de alterações.

Existem duas categorias de idosos: aqueles que tem uma alimentação equilibrada e um estilo de vida ativa. Estes podem usufruir a massagem como uma terapia complementar á sua vida saudável. Outros, além dos problemas normais da idade, sempre possuíram hábitos de sedentarismos não fazendo exercício físico.

A falta da atividade física diminui a circulação sanguínea e linfática, originando um aporte de oxigênio mais baixo e que poderá ser a causa de necrose celular.

O isolamento é um poderoso fator de risco para o idoso e aqueles que já tem a saúde debilitada beneficiam grandemente com a massagem pela sua elevada eficácia por desafiar emocional e fisicamente os idosos.

A grande maioria da população idosa é sedentária, muitas vezes devido a dolorosas artroses, dificuldades de equilíbrio ou problemas relacionados com circulação sanguínea.

Para estas situações ela promove:

  • o aumento da circulação sanguínea;
  • o aumento da circulação linfática;
  • o alivio da dor;
  • redução do stress e da ansiedade;
  • aumento da amplitude da mobilidade articular;
  • melhoria nos padrões de sono;
  • possível melhoria sintomatológica na doença de Alzheimer.

Com o intuito de validar técnicas não invasivas e não medicamentosas que promovam a melhoria da qualidade de vida em idosos, centros acadêmicos e de pesquisas investem no estudo da massagem terapêutica, já conhecida há milênios pelos chineses, indianos e japoneses. Como resultado, a literatura moderna apresenta estudos sobre o cuidado integral do idoso, sobre o climatério, massagem associada à aromaterapia tratando a hipertensão arterial e, também, os efeitos da automassagem.

Forte aliada dos sistemas de saúde e do paciente, a massagem terapêutica contribui em manter as pessoas mais ativas, diminuindo as debilidades que podem surgir com o avançar da idade, promovendo qualidade de vida e não afetando tanto os gastos públicos em saúde. Os resultados obtidos em alguns trabalhos justificam a atenção que hoje a acadêmia dedica à massagem.

Assim, diante desses benefícios comprovados por pesquisas e sentidos pela população surge uma movimentação no Mercado de Trabalho. São profissionais de saúde que aprendem Massagem Oriental para atender este público, que contradiz as regras do tempo, vivendo além da idade outrora imaginada. Além de viver, apreciam arte, praticam esportes, riem, são felizes e recebem Massagem. Assim, nesta luta diária, fortalecem sua parceria com um Especialista em Massagem Oriental.

Cuidado integral de idosos

Massagem como prática terapêutica auxiliar na assistência à saúde e cuidado integral de idosos

Monografia de graduação em licenciatura em Educação Física, na Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). Pesquisou a importância do tratamento não invasivo e não medicamentoso na melhoria da qualidade de vida de idosos.

Foram feitas sessões de massagens no ano de 2012, em feiras de saúde promovidas pelo programa de Saúde da Família. Segundo relatos dos idosos, a massagem promoveu a redução da ansiedade e da tensão, produziu relaxamento e melhoria da autoestima. Fisiologicamente, melhorou a circulação sanguínea, diminuiu a rigidez muscular, além de controlar inflamações articulares.

Climatério e insonia

O efeito da massagem terapêutica nos sintomas climatéricos em mulheres pós-menopausadas com insônia

Dissertação de mestrado desenvolvida na Universidade Federal de São Paulo (Unifest), em 2011. Pesquisou o efeito da massagem terapêutica em mulheres pós-menopausa. Após as massagens, foram preenchidos questionários que mostraram a promoção de saúde com a melhoria da qualidade do sono e do bem-estar.

Aromaterapia e hipertensão

Aromaterapia aliada à massagem: contribuições hipertensão em idosos

Projeto de pesquisa experimental, de caráter exploratório, feito por graduandas em Estética, na Unisalesiano. O objetivo do estudo é analisar a eficácia da aromaterapia associada à massagem terapêutica, em idosas hipertensas, e seus resultados na estética corporal. Também serão observados os possíveis benefícios em termos fisiológicos e psicológicos na população da terceira idade.

Automassagem

Efeitos de vivências de automassagem em idosos institucionalizados

Pesquisa do Grupo de Estudos e Pesquisas em Corporeidade, Cultura e Educação (Gepec), da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), em 2012. Consistiu em avaliar os efeitos das vivências da automassagem em idosos.

Os sujeitos da pesquisa 15 idosos com idade média de 83 anos relataram que a atividade lhes trouxe lembranças de momentos felizes da vida, como da infância, do companheiro já falecido e da praia. A atividade também promoveu a sensação de aquecimento corporal e de bem-estar. A conclusão foi que a automassagem feita pelo idoso estimula o bem-estar e o prazer pela vida.

Fontes

  1. Monografia publicada em 2013, na UEFS, departamento de Saúde, para obtenção do título de licenciatura em Educação Física. Texto na íntegra disponível na internet, em PDF. Acesso em 6/6/2017.
  2. Dissertação de mestrado de 2011, da Unifesp. Texto na íntegra disponível na internet, em PDF. Acesso em 7/6/2017.
  3. Pesquisa realizada na Unisalesiana em Lins. Projeto de pesquisa disponível na internet, em PDF Acesso em 7/6/2017.

 

Fisioterapia, Geriatria, Ocidental, Ortopedia, Saúde

Alterações Musculoesqueléticas do Envelhecimento e a Atuação do Fisioterapeuta

O envelhecimento é um processo comum a todos os seres vivos. É considerado um processo dinâmico e progressivo, na qual gera modificações morfológicas, funcionais, bioquímicas e psicológicas. Segundo Prentice e Voight (2003), o envelhecimento é um processo de seguidas manifestações biológicas ocorridas com o tempo, e não está associado à idade cronológica. O envelhecimento natural não é um processo patológico. Denomina-se senescência que é exatamente o somatório de alterações orgânicas e funcionais provenientes de um envelhecimento normal, que, promove o declínio das funções, alterando todos os sistemas (MCARDLE e KATCH, 2003).

Envelhecimento. Não negá-lo, nem se submeter a ele - Brasil 247

Para uma abordagem sobre o envelhecimento do sistema músculo-esquelético é necessário compreender o que engloba o sistema, como os ossos, músculos e as articulações. O osso é essencialmente um tecido conjuntivo mineralizado, altamente vascularizado, vivo e em constante transformação. É singular pela sua dureza, resistência, por seus mecanismos característicos de crescimento, e por sua capacidade de regeneração. (FREITAS et al, 2002). Uma alteração comum no envelhecimento é a perda de massa óssea que é caracterizada pelo desequilíbrio no processo de modelagem e remodelagem.Esse desequilíbrio pode ocorrer pelo aumento da atividade dos osteoclastos ou por diminuição da atividade dos osteoblastos, ou até mesmo pela combinação de ambos. As alterações nessas células podem acarretar perda de massa óssea contínua mais conhecida como osteoporose, que está associada ao aumento de fragilidade e com maior risco de fratura após mínimo trauma. Segundo Moriguchi & Jeckel Neto (2003), esta diminuição gradual de massa óssea e resistência do tecido ósseo pode ser modulada em função do tipo de alimentação aos hábitos de atividade física, e não deixa de citar que alterações no metabolismo e mudanças dos níveis hormonais podem contribuir com esse declínio. Para Matsudo (2001) a perda de massa óssea está relacionada com os mesmos fatores; inatividade física, questões nutricionais e hormonais, além da genética.

As articulações são constituídas para realizar movimento e sustentação mecânica. Sua nutrição é feita através do líquido sinovial, presente nas mesmas. Essas articulações são classificadas como: não sinoviais e sinoviais. As não sinoviais, também conhecidas como sinartrose, proporcionam integridade estrutural e movimentos mínimos. As articulações sinoviais possuem espaço articular que possibilitam grande amplitude de movimento. Essas articulações são fortalecidas pela cápsula fibrosa, pelos ligamentos e pelos músculos. O revestimento sinovial permite uma troca rápida entre o sangue e o líquido sinovial – que é claro, viscoso e atua como lubrificante da cartilagem articular (REBELATTO e MORELLI, 2004). A medida que o organismo envelhece ocorrem algumas alterações características, as articulações sinoviais sofrem alterações nas cartilagens articulares. O envelhecimento promove diminuição do número de condrócitos que sintetizam a matriz, digerem enzimaticamente, e diminui a quantidade de água e proteoglicanas que são responsáveis pelo turgor e pela elasticidade da cartilagem. Com o aumento na espessura das fibras colágenas, a cartilagem torna-se mais fina e com rachaduras e fendas nas superfícies. (FREITAS et al, 2002).

Os músculos são formados por feixes e cada feixe recebe a denominação de fascículo. Estes são constituídos por miofilamentos, e por sua vez compreendem as miofibrilas que quando se agrupam, formam as fibras musculares. Uma das alterações mais evidentes na velhice é no sistema muscular, pois há perda de massa muscular ou sarcopenia. A perda de massa ocorre principalmente, pela diminuição no peso muscular, que se deve a perda de unidades motoras, e ao fato de que as placas motoras dos idosos e as pregas são mais numerosas e as fendas sinápticas se tornam mais amplas, reduzindo a superfície de contato entre o axônio e a membrana plasmática. E isso traz conseqüência, ou seja, diminuindo a qualidade de contração muscular, força e coordenação dos movimentos, aumentando a probabilidade de sofrer acidentes (quedas). As fibras de tipo I e tipo II também reduzem em número e volume, isso explica a menor velocidade que se observa nos movimentos dos idosos. (PEREIRA et al, 2006).

A forma para se manter um envelhecimento saudável é necessário aderir a pratica de Atividade de Física regulamente que irá contribuir evitando as incapacidades associadas ao envelhecimento. Pode-se compreender a Atividade Física como elemento essencial para a vida das pessoas e inclusive para a pessoa idosa, pois ela se destaca como fator determinante no retardo do processo de senilidade, ou seja, as doenças que poderão comprometer a qualidade de vida ( LOPES 2018 ) .

Quando se fala da fisioterapia pensa-se apenas na reabilitação , esta é destinada à cura de doenças e/ou à tratamento de sequelas e complicações. Porém, esses profissionais não só atuam na reabilitação mas também na prevenção de doenças e promoção de saúde. A fisioterapia funciona como estratégia de política pública de saúde para educar, prevenir e tratar os déficits funcionais ocasionados pelo envelhecimento, pois utiliza-se de seus conhecimentos e recursos com intuito de restaurar ou manter o mais alto nível de função motora e independência física possível do idoso (SILVA 2019).

A Fisioterapia pode contribuir ativamente para minimizar os custos com despesas hospitalares, atuando na prevenção. O envelhecimento é um processo complexo e multifatorial, portanto, um melhor entendimento deste pode auxiliar na compreensão de estratégias para melhorar a qualidade de vida da população ( RODRIGUES 2016).

A atuação do profissional fisioterapeuta nos cuidados primários à saúde trouxe
benefícios ao sistema de saúde, aumento do nível de satisfação dos usuários, diminuição do tempo na lista de espera para consultas, além da melhora na qualidade de vida. O fisioterapeuta, buscando promover a saúde em todos os níveis possíveis ( DEL ANTONI 2016) . Fisioterapeuta que atuam na atenção primária promovendo assistência preventiva e orientações para responsabilização dos usuários ( FONSECA 2016 )

BORGES ( 2018) constata alterações diversas sobre o equilíbrio estático e dinâmico que afetam diretamente a qualidade de vida do idoso e é importante prevenir e minimizar os riscos de quedas em idosos .

GONÇALVES ( 2016 ) afirma que a prevenção faz toda a diferença para salvar a vida do paciente e apontar os benefícios da cinesioterapia na manutenção do equilíbrio do idoso garantindo qualidade de vida, melhora nas atividades de vida diária (AVD’ s), na flexibilidade geral, aumento do equilíbrio e força, reduzindo assim, os gastos no sistema público de saúde.

GOMES 2017 com o objetivo de comparar o equilíbrio, através da Escala de Equilíbrio de Berg, em um grupo de idosos observou que é efetiva a fisioterapia na prevenção de quedas em idosos com alta eficácia, porque diminui de forma significativa o risco de fraturas devido a quedas e consequentemente os gastos com internações.

DIAS ( 2016 ) analisou os benefícios de idosas ao praticar exercícios físicos, e ficou comprovado que a pratica de exercícios diminui a sarcopenia , fazendo com que melhore a qualidade da marcha e diminuindo o numero de quedas e qualificando a eficiência nos seus afazeres do dia-a-dia, um roteiro de atividades que elevem consideravelmente a força, permita a composição e peso corporal eficientes para a mobilização e que também melhore o equilíbrio tem a propensão a reduzir essas quedas . SILVA 2017 ao questionar os idosos entrevistados , 40% obtiveram uma melhora significativa na saúde, 50% disseram que melhoraram o condicionamento físico, como a flexibilidade e a energia e 10% deles deixaram de tomar medicamentos. Relata que através da pratica regular de atividades físicas ocorrem ganhos de força e melhor qualidade de vida

CAMBOIM et al ( 2017) evidenciou mudanças na QV após adesão à prática de atividade física de forma regular proporcionados pela NASF. As entrevistadas apontam melhorias na QV após a prática da atividade física.

MEDEIROS 2017 O estudo apresentou dados positivos na funcionalidade e qualidade de vida dos idosos participantes do estudo, podendo ser efetivo também no equilíbrio dos mesmos, promovendo auxilio durante as atividades diárias através da aplicação de exercícios resistidos.

COSTA et al ( 2017) realizou treinos de atividades físicas, buscou citar alguns dos
principais fatores de risco de doenças cardiovasculares; os benefícios que as atividades físicas podem trazer à vida do idoso . Relata beneficio a saúde e controla os fatores de risco para doenças cardiovasculares como hipertensão arterial, dislipidemia, sensibilidade à insulina. Além disso, são eficientes no controle do peso, na prevenção de deficiências e quedas e no aumento da capacidade funcional e, por fim, indicar efeitos dos exercícios físicos na redução do risco cardiovascular em idosos.

SILVA et al ( 2019 ) Evidencia a importância da fisioterapia na buscar de um envelhecimento ativo o resultado demonstra que muitas pesquisas têm se desenvolvido no âmbito da fisioterapia relacionada a saúde da pessoa idosa, e principalmente para idosos sedentários que estão em desuso, com problemas físicos, mentais e sociais, a prática de exercício físico ajuda a restabelecer o individuo na sociedade , preservar e progredir em sua autonomia, também reduzir ou prolongar os efeitos do envelhecimento, e posteriormente melhorar a qualidade de vida.

Fisioterapia, Geriatria, Ortopedia, Pediatria, Saúde

Tratamento da Escoliose com Pilates

O que é escoliose?

Como realizar tratamento da Escoliose através do Método Pilates

Apresentado como um desvio da coluna, a escoliose pode aparecer por diversos motivos. Seja por má formação ou associada a outras doenças, o motivo pode ser até desconhecido, que é o caso de 85% das pessoas diagnosticadas.

Existem 3 tipos de escoliose:

  • Escoliose congênita: Pode decorrer de um problema com a formação dos ossos da coluna vertebral ou de um problema de fusão dos ossos da coluna, podendo ou não estar associado a fusão de costelas durante o desenvolvimento do feto;
  • Escoliose neuromuscular: Geralmente é causada por problemas neurológicos como paralisia cerebral ou muscular, o que ocasiona fraqueza muscular, controle precário dos músculos ou paralisia decorrente de doenças como a distrofia muscular, a espinha bífida ou pólio, por exemplo;
  • Escoliose idiopática: De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS ), em 80% dos casos de escoliose, a causa é idiopática, isto é, de origem desconhecida.

Segundo Iunes et al. (2010), a escoliose é mais facilmente corrigida ou estabilizada, enquanto se apresenta flexível ou não estruturada. Portanto, quanto mais cedo for diagnosticada, mais eficaz torna-se o tratamento conservador na escoliose.

Os tratamentos conservadores vêm apresentando resultados estatisticamente significativos na diminuição do ângulo de Cobb em crianças com escoliose idiopática.

O ângulo de Cobb usado para medir a deformidade do plano frontal nas radiografias dos planos cranial e caudal na classificação de escoliose. A tomada de decisão em relação ao tratamento baseia-se no grau e na progressão da curvatura da escoliose, sendo que a gravidade da escoliose é diretamente proporcional à angulação da curva.

ANGULO DE COBB X Ortopedia***

Sua classificação é feita da seguinte maneira:

  • As escolioses menores de 10º são consideradas normais e não requerem tratamento.
  • Escoliose leve: menos de 20º.
  • Escoliose moderada: de 20 a 40º.
  • Escoliose grave: de 40 a 50º ou mais.

Pilates

Pilates une treino físico e terapêutico na mesma atividade

O Pilates é uma técnica que pode auxiliar a tonificação muscular, o realinhamento postural e alongamento corporal integrando a mente e o corpo. O Pilates foi criado pelo alemão Joseph H. Pilates que buscava centrar exercícios no fortalecimento com flexibilização das fibras musculares.

O método de Pilates baseia-se em alguns princípios como a respiração, o controle, a concentração, o fluxo de movimento e a precisão. Nestes princípios e nos conceitos abordados pelo método o Pilates aliado a fisioterapia tem como objetivo minimizar as alterações posturais através do aumento da flexibilidade e do fortalecimento muscular de forma global.

Pilates para Escoliose

Independentemente do tipo de escoliose, a sua instalação e fixação está sempre relacionada com uma retração assimétrica dos músculos espinhais.

Os músculos espinhais são um conjunto de músculos estáticos da coluna vertebral, a sua função é sustentar e erguer a coluna. Isto só é possível graças ao seu trabalho permanente e ao bom equilíbrio das tensões reciprocas entre os músculos do lado direito e esquerdo. É graças a estes músculos estáticos que conseguimos alcançar o equilíbrio entre os nossos ossos e articulações.

Um programa de exercícios no Pilates deve conter movimentos que priorizem a ativação dos músculos estabilizadores. E liberação de músculos em situação de retração, partindo da ativação de Power House e intenso trabalho de conscientização corporal.

O protocolo de intervenção pode ser dividido em três etapas. Constando de preparação, parte específica e volta à calma.

A preparação seria o trabalho respiratório. Que melhora também a capacidade respiratória e promove maior estabilidade à caixa torácica. Além do trabalho de mobilização da coluna, para devolver flexibilidade e promover estímulos proprioceptivos em busca da estabilidade da coluna.

Numa escoliose, o bom equilíbrio da coluna vertebral está comprometido, perante o desequilíbrio os músculos espinhais. Que são responsáveis pela estabilidade da coluna, e os grupos musculares envolvidos contraem-se e retraem-se mais de um lado do que do outro.

O método Pilates surge como uma opção muito eficaz no tratamento da escoliose. Porque consegue trabalhar grupos musculares profundos e que estão diretamente relacionados com a estabilização da coluna vertebral.

Alguns exercícios específicos do método Pilates, podem ser aplicados para tratar a escoliose, e são importantes porque trabalham vários grupos musculares simultaneamente.

Conferindo desta forma uma relação de interligação e sincronia das respostas musculares, melhorando a capacidade proprioceptiva. Que está diretamente relacionada à postura correta e estável.

Os movimentos de volta à calma podem ser executados visando o relaxamento da musculatura trabalhada.

O Pilates envolve bastante exercícios que trabalham de forma harmoniosa e rítmica trazendo juntamente com a respiração, a promoção de relaxamento e alívio de tensões.

Um dos acessórios mais utilizados para tratamento da ESCOLIOSE no método Pilates e também o mais conhecido é a BOLA SUÍÇA.

Bola Suíça para Exercícios - Eufitloja

Ela é desafiadora devido à instabilidade, exige maior organização corporal é associada com exercícios de forma simétrica (harmônicos). A coordenação e o equilíbrio serão necessários e podem ser somados com trabalho de mobilidade e força.

Com aproximadamente 20 aulas 2x por semana os pacientes relatam a diminuição do quadro de dor e já conseguimos visualizar uma melhora na postura. Com isso o paciente fica motivado e o profissional pode dar continuidade aos trabalhos individualizados ou em grupo de no máximo 03 pessoas.

Outro objetivo do método Pilates é estabilizar o quadro clinico evitando que essa deformidade continue, melhorando a consciência corporal, flexibilidade e força em toda a funcionalidade da coluna nas tarefas diárias.

Segue dicas de exercícios com a BOLA SUÍÇA que poderá ajudar no tratamento. É uma forma lúdica de trabalhar a coluna levando o indivíduo a um novo despertar do corpo.